A defesa da mulher que acusa o investigador Manoel Batista da Silva de estupro dentro da Delegacia de Sorriso solicitou à Justiça que o policial passe a responder também pelo crime de denunciação caluniosa. O pedido foi apresentado durante a primeira audiência de instrução e julgamento da ação penal que apura os supostos abusos sexuais.
A audiência ocorreu nesta quinta-feira (12), na 2ª Vara Criminal de Sorriso. Na ocasião, foram ouvidas a denunciante e duas testemunhas consideradas relevantes para o caso. As mulheres dividiam a cela com a vítima na época em que os fatos teriam ocorrido.
Atendendo a um pedido das testemunhas, o juízo autorizou que os depoimentos fossem prestados sem a presença do acusado no ambiente da audiência. Participaram da sessão representantes do Ministério Público, o advogado da vítima, Walter Rapuano, a defesa do investigador e o magistrado responsável pelo processo.
Como nem todas as testemunhas puderam ser ouvidas, uma nova audiência foi agendada para o próximo dia 18 de junho. Na continuidade da instrução deverão prestar depoimento as demais testemunhas arroladas pelas partes, além do próprio réu.
Durante a audiência, a defesa de Manoel Batista reiterou o pedido para ter acesso integral às imagens registradas pelas câmeras de segurança da delegacia. A solicitação será analisada pelo juiz após a conclusão da fase de depoimentos.
Outro tema debatido na sessão foi a juntada de documentos relacionados a um inquérito instaurado contra a própria vítima e seu advogado. Conforme os autos apresentados, o investigador registrou um boletim de ocorrência em dezembro de 2025 acusando ambos de denunciação caluniosa, pouco tempo após o Ministério Público encaminhar oficialmente a denúncia para apuração pela Polícia Civil.
Para a defesa da mulher, a iniciativa teve o objetivo de constranger a denunciante e criar obstáculos à investigação. O advogado sustenta ainda que o policial teria tido acesso antecipado a informações sigilosas do procedimento, uma vez que o boletim foi registrado logo após o encaminhamento do caso às autoridades competentes.
Com base nesses elementos, e também na perícia que confirmou a ocorrência de relação sexual entre o investigador e a mulher custodiada, a defesa requereu a inclusão do crime de denunciação caluniosa entre as acusações atribuídas ao policial.
O caso ganhou repercussão após a prisão preventiva de Manoel Batista, decretada em fevereiro deste ano. Ao término das investigações, a Polícia Civil o indiciou pelos crimes de estupro e abuso de autoridade.
Segundo a denúncia do Ministério Público, os abusos teriam ocorrido em quatro ocasiões distintas enquanto a mulher estava presa em cumprimento de mandado de prisão temporária. A vítima também relatou ter sofrido ameaças para não revelar os fatos, incluindo supostas intimidações envolvendo sua filha menor de idade.
Exame realizado pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontou, por meio de análise genética, a existência de conjunção carnal entre o investigador e a mulher. Desde o início do processo, o policial nega as acusações. O caso segue em fase de instrução e ainda aguarda julgamento.




















