A Câmara Municipal de Cuiabá confirmou o recebimento de dois pedidos de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar um suposto rombo de R$ 80 milhões na Secretaria Municipal de Educação. A denúncia inicial partiu do prefeito Abilio Brunini (PL), que apontou possíveis desvios em contratos voltados à compra de materiais didáticos que teriam sido produzidos com o uso de inteligência artificial.
Os requerimentos de investigação foram apresentados pelos vereadores Maysa Leão (Republicanos) e Demilson Nogueira (PP), sendo que apenas o documento de Maysa alcançou o número mínimo de nove assinaturas exigido para o protocolo formal.
Mesmo com a diferença no apoio político inicial, ambos os requerimentos foram encaminhados para a Procuradoria-Geral do Legislativo. O órgão jurídico terá o prazo de 48 horas para emitir um parecer técnico avaliando a legalidade e a legitimidade das peças antes de recomendar ou vetar a instalação oficial da CPI.
A presidente da Casa de Leis, Paula Calil (PL), manifestou-se por meio de nota oficial reforçando o compromisso do parlamento com a transparência, a legalidade e a fiscalização responsável da aplicação do dinheiro público.
Em paralelo às articulações da comissão, o ex-secretário de Educação, Amauri Monge, compareceu ao parlamento municipal após ser convocado pelo vereador Ilde Taques (Podemos).
Durante o seu esclarecimento em plenário, Monge rebatendeu categoricamente as acusações do prefeito, afirmando que o chefe do Executivo faz ilações sem provas e utiliza a denúncia como cortina de fumaça para ocultar pedaladas fiscais de aproximadamente R$ 100 milhões no orçamento da pasta.
O ex-gestor alegou que a administração atual reteve os repasses devidos à Educação, provocando atrasos com fornecedores e gerando, inclusive, uma dívida de R$ 25 milhões com a empresa terceirizada responsável pelas cuidadoras de alunos com deficiência (CADs) relativa aos últimos meses do ano passado.

















