Um episódio vexatório manchou o futebol mato-grossense nos últimos dias. O Cacerense, um dos times rebaixados à Série B do Estadual nesta temporada, está sendo denunciado por suposto tráfico de pessoas para fins desportivos após o clube dar calote nos jogadores e comissão técnica.
Conforme noticiado em primeira mão pelo site Esportes e Notícias, o experiente centroavante Flávio Caça Rato expôs a situação desumana em que os funcionários do clube estava vivendo durante o período de competição. A vereadora Mazéh Silva (PT) teve conhecimento do caso e protocolizou formalmente a denúncia no Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH) de Cáceres. Posteriormente, o órgão encaminhou o caso ao Ministério Público do Trabalho, ao Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Cetrap) e à Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae).
No áudio revelador de Caça-Rato, o jogador revelou que os jogadores estavam passando fome, sem internet e sequer sabiam quando iriam receber o salário. A Fera da Fronteira foi rebaixada à segunda divisão e vai ficar sem calendário durante meses. Porém, mesmo com o fim do Estadual, alguns atletas ficaram ‘ilhados’ em Cáceres e não tinham dinheiro para regressar as suas cidades-natais.
Ao tomar conhecimento dos fatos, A coordenadora do CRDH, Polianna de Souza Corrêa, destacou que esses elementos configuram o tráfico de pessoas para fins desportivos ao caso.
– Identificamos que haveria indícios de tráfico para fins desportivos. Muitos desses jovens vieram de diferentes estados do país, Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco. Estavam em casas alugadas pelo clube, mas não recebiam a assistência devida, não estavam recebendo remuneração conforme estabelecido no contrato. Muitos vieram com promessa de carteira assinada e, ao que tudo indica, isso não aconteceu. Eles se sentiram enganados pela organização do clube. Nas últimas semanas, eles estavam sem alimentação e se alimentavam por meio de doações.
Em nota, o Ministério Público do Trabalho também se manifestou sobre o caso.
Em resposta à solicitação, o Ministério Público do Trabalho informa que a(s) apuração(ões) da(s) denúncia(s) recebida(s) pela unidade segue(m) o regular trâmite, a fim de que sejam esclarecidos os fatos noticiados e, caso comprovadas as irregularidades, o órgão buscará a resolução da(s) questão(ões) e a punição do(s) responsável(veis).
A Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), por sua vez, lamentou o episódio.
A FMF lamenta o caso, já que a entidade investe cerca de R$ 1 milhão de recursos próprios para auxiliar os clubes em hospedagem, alimentação e logística, com intuito de que situações como essa sejam evitadas.
Veja abaixo a denúncia protocolada pelo Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH) de Cáceres
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