“Durante a campanha eu não vi”. A afirmação é do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Eduardo Botelho (União), que revelou que durante sua a campanha eleitoral deste ano, não soube de impedimentos para ele ou candidatos a vereadores de sua aliança entrarem em bairros da Capital por causa da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Botelho destacou que cabe à Polícia Civil identificar membros de facções, pois políticos não têm ‘bola de cristal’.
“Eu não vi, durante a campanha não vi. Nunca tive essa informação de que a gente não poderia entrar nos bairros ou que alguém de nós não poderia. A campanha é muito corrida, você vai ao bairro, à reunião, chega lá e abraça todo mundo. Como que você vai chegar num lugar que tá todo mundo e falar ‘opa não vou cumprimentar você’, ninguém tem bola de cristal. Isso não cabe ao candidato, cabe à polícia identificar quem é de facção”, declarou Botelho.
A declaração foi uma resposta ao vereador Demilson Nogueira (PP), que durante a sessão de terça-feira (12/11) mencionou denúncias de que o Comando Vermelho estaria “estendendo tentáculos” no Legislativo Estadual. O deputado Wilson Santos (PSD) havia comentado isso em 2022, após a eleição, afirmando que foi impedido de entrar em alguns bairros de Cuiabá.
Demilson expressou indignação porque, quando o tema envolveu o Legislativo Municipal, a polêmica foi maior do que na Assembleia. “O político está em campanha, andando pelos bairros, todo mundo andando com ele, tirando foto, aí você vai saber como que a pessoa é de facção? Qual político que tá aqui no dia a dia sabe disso? Eu mesmo não sei, talvez a imprensa saiba mais do que nós”, contrapôs Botelho.
A acusação ganhou mais gravidade quando o prefeito eleito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), afirmou que “ficou sabendo” que a facção criminosa estaria interferindo na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal, inclusive oferecendo R$ 200 mil por voto. As declarações tomaram proporções maiores e as denúncias estão agora nas mãos da Polícia Civil e do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).
“Quem tinha que investigar isso é a polícia e, segundo o que o governador me falou ontem, eles estão investigando. Inclusive pediu para que Abílio, que foi quem fez a denúncia e quem denuncia é quem tem que apresentar as provas, para que ele apresente as provas porque o Estado está à disposição para investigar. Quem tem essa denúncia que o faça”, enfatizou Botelho.


















