A decisão envolvendo o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), que foi congelado e será extinto a partir de 2027, voltou ao centro do debate político em Mato Grosso e acendeu um sinal de alerta entre gestores municipais. Apesar disso, a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) adotou um tom cauteloso e tratou de minimizar possíveis impactos da medida articulada pelo governador Otaviano Pivetta, afirmando que, ao menos neste momento, não há risco concreto de prejuízo direto às prefeituras.
Sob o argumento de que a mudança tem caráter mais administrativo do que financeiro, a entidade, presidida por Hemerson Máximo, conhecido como Maninho, buscou conter o avanço de um clima de apreensão que começou a ganhar força nos bastidores. O Fethab é uma das principais fontes de financiamento para obras de infraestrutura nos municípios, especialmente na manutenção de estradas, e qualquer alteração em sua gestão ou distribuição costuma provocar reações imediatas entre prefeitos.
Nos corredores políticos, no entanto, a avaliação é mais prudente. Embora a AMM sustente que não haverá perdas, há um entendimento de que o redesenho proposto pelo governo pode, sim, gerar efeitos indiretos ao longo do tempo, dependendo da forma como for implementado. A ausência de detalhes mais claros sobre os desdobramentos da decisão reforça a leitura de que o cenário ainda está em aberto.
A fala da associação também é interpretada como um movimento para evitar desgaste institucional e político, sobretudo em um momento em que a relação entre Estado e municípios exige estabilidade para a execução de obras e serviços essenciais. Ao mesmo tempo, prefeitos acompanham com atenção os próximos passos do governo, cientes de que mudanças estruturais em fundos como o Fethab dificilmente passam sem consequências práticas.
Com isso, o episódio revela mais do que uma simples divergência técnica: expõe a tensão silenciosa entre a necessidade de ajustes na gestão estadual e a dependência financeira dos municípios. Enquanto o discurso oficial tenta tranquilizar, nos bastidores a palavra de ordem é cautela


















