A morte de Olga Beatriz Santos, de 12 anos, ocorreu justamente no primeiro fim de semana em que a adolescente permaneceu sob os cuidados do pai, Claudinei da Silva, após a retomada da convivência entre os dois. O homem está preso preventivamente por suspeita de estrangular a própria filha no último domingo (7), em Várzea Grande.
As informações foram repassadas pela advogada da família materna, Dayanne Rodrigues, durante entrevista concedida nesta quinta-feira (11), na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Cuiabá.
Segundo a advogada, Claudinei havia deixado a prisão recentemente após cumprir pena por tentar matar a então companheira e mãe de Olga, crime ocorrido em 2018. Na época, a menina tinha apenas quatro anos de idade.
De acordo com Dayanne, a criança cresceu praticamente sem contato com o pai e não guardava muitas lembranças dele. Ainda assim, manifestava o desejo de conhecê-lo melhor e construir uma relação familiar.
“A Olga não recordava muito do pai porque era muito pequena quando tudo aconteceu. Mesmo assim, sempre falava que queria conhecê-lo e ter a presença dele na vida dela”, afirmou a advogada.
Após deixar o sistema prisional, Claudinei procurou a família alegando que desejava se reaproximar da filha. A mãe autorizou os encontros, que aconteciam de forma gradual e geralmente durante visitas rápidas na casa da avó paterna.
Segundo a defesa da família, Olga nunca havia dormido na residência do pai até o fim de semana em que foi assassinada.
“Era a primeira vez que ela passava a noite na casa dele. Antes, ela apenas fazia visitas rápidas e retornava para casa”, explicou Dayanne.
No sábado, pai e filha participaram de um aniversário familiar. Como retornaram tarde, Olga acabou permanecendo na residência. No domingo, a mãe chegou a buscá-la, mas a menina decidiu ficar por mais algumas horas porque conheceria o avô paterno durante uma comemoração.
“Ela queria muito conhecer o avô. Por isso pediu para permanecer com o pai naquele dia”, relatou a advogada.
Horas depois, Claudinei entrou em contato com a mãe afirmando que a filha estaria “dando trabalho”. Preocupada, ela providenciou que uma amiga fosse buscar a adolescente. Quando chegaram ao imóvel, porém, ninguém atendia aos chamados.
Após familiares conseguirem entrar na residência, encontraram Olga desacordada. Ela ainda foi levada para atendimento médico, mas não resistiu.
A advogada também contestou informações de que o crime teria sido motivado por supostas mensagens trocadas pela menina com um garoto nas redes sociais.
“A Olga não tinha celular. Ela conversava com a mãe pelo telefone do pai e com o pai pelo telefone da mãe. A família descarta essa versão”, declarou.
Além da investigação sobre a morte da adolescente, a defesa destaca o histórico de violência envolvendo Claudinei. Conforme relatado por Dayanne, em 2018 ele manteve a então companheira e a filha em cárcere privado por três dias. Depois, obrigou a mulher a acompanhá-lo até o local onde ela trabalhava e, durante a tentativa de fuga da vítima, a atingiu com duas facadas.
“Ele desferiu golpes que atingiram a barriga e a perna da Mayara. Foi por esse crime que acabou preso”, afirmou.
Claudinei da Silva se apresentou à polícia após o crime e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça. A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais para esclarecer todas as circunstâncias da morte de Olga.




















