A ausência de um protocolo oficial do Sistema Único de Saúde (SUS) é hoje o principal impedimento para que Cuiabá implemente o uso do medicamento Mounjaro como tratamento público contra a obesidade. A avaliação foi feita pelo prefeito Abilio Brunini (PL), que afirma que o município está preparado para avançar, mas depende de uma regulamentação nacional que ainda não existe.
Segundo o prefeito, mesmo com aprovação da Anvisa e uso já consolidado na rede privada, o Mounjaro só pode ser disponibilizado pelo poder público quando houver diretriz formal definida pelo SUS. Diante disso, a Prefeitura iniciou a elaboração de seus próprios protocolos clínicos e operacionais.
Abilio destacou que o tratamento não se resume ao uso da conhecida “canetinha” para emagrecimento. Ele explicou que a proposta envolve um programa estruturado, com acompanhamento médico e estratégias de mudança de hábitos, conectado às ações do Escola Aberta à Comunidade, que oferece atividades físicas nas unidades escolares.
Sem parâmetros nacionais, a equipe municipal precisa desenvolver todo o processo internamente, desde estudos técnicos até regras de prescrição e a organização da assistência.
“Quando o SUS já tem a estrutura montada, o processo flui. Sem isso, a gente precisa criar todo o caminho”, resumiu o prefeito.
Ele também reiterou que o medicamento não será adotado com finalidade estética, mas como estratégia de redução de doenças cardiovasculares e demais complicações associadas à obesidade. Abilio lembrou que perdeu cerca de 25 quilos e disse que a mudança trouxe impactos diretos na qualidade de vida.
A expectativa da gestão é acelerar a implementação com o apoio da emenda apresentada pela vereadora Michelly Alencar (União). Caso consiga superar as barreiras burocráticas, Cuiabá poderá se tornar uma das primeiras capitais do país a incluir o Mounjaro na rede pública municipal.

















