A Argentina quer ampliar sua presença econômica em Mato Grosso e vê no Estado um parceiro estratégico para o desenvolvimento de novos negócios, especialmente nas áreas de agrotecnologia, fertilizantes, mineração e alimentos. A avaliação é do chefe da Seção Econômico-Comercial e de Investimentos da Embaixada da Argentina no Brasil, Patricio Violini, que esteve em Cuiabá para uma série de reuniões com representantes do setor produtivo.
A agenda foi articulada pelo advogado Marcel Daltro, responsável pelos Projetos Estratégicos de Internacionalização e Agronegócio da NWADV, que destaca a presença de Violini em Mato Grosso como resultado do trabalho de diplomacia jurídica que tem desenvolvido para aproximar o Estado de mercados internacionais com elevado potencial de negócios.
“A presença do representante da Embaixada da Argentina em Mato Grosso demonstra que o Estado passou a ocupar posição de destaque nas agendas internacionais de investimento. Nosso trabalho é criar conexões entre governos, empresas e instituições, aproximando oportunidades concretas dos empresários mato-grossenses e posicionando Mato Grosso como protagonista nas negociações internacionais”, afirmou.
Violini analisa que Mato Grosso e Argentina possuem economias complementares e podem construir uma agenda de cooperação capaz de gerar oportunidades nos dois sentidos.
“Existe uma fonte muito importante de oportunidades comerciais. A Argentina possui empresas altamente qualificadas em agrotecnologia que podem fornecer soluções ao agronegócio mato-grossense ou receber investimentos brasileiros para ampliar sua atuação. Também enxergamos grande potencial na mineração de potássio, fundamental para a produção de fertilizantes, além da ampliação do comércio de alimentos e bebidas argentinos para um mercado consumidor cada vez mais sofisticado como o de Mato Grosso”, afirmou.
O diplomata destacou que essa aproximação já vem sendo construída. No primeiro semestre de 2026, uma missão com empresas argentinas de tecnologia agrícola visitou municípios como Sinop, Lucas do Rio Verde e Sorriso, fortalecendo o diálogo com instituições e empresas do agronegócio.
“Nós trabalhamos para construir uma ponte cada vez mais sólida entre empresários argentinos e mato-grossenses, estimulando tanto as exportações quanto novos investimentos. O futuro dessa relação é bastante promissor”, ressaltou.
Os números da balança comercial reforçam o potencial dessa parceria. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que Mato Grosso exportou US$ 4,4 milhões para a Argentina em 2015. Em 2025, esse valor chegou a US$ 26,6 milhões, crescimento de aproximadamente 503% em dez anos. No mesmo período, as importações passaram de US$ 17 milhões para US$ 9,1 milhões, reduzindo o déficit comercial e demonstrando maior equilíbrio na relação econômica entre os dois mercados.
Além do comércio tradicional, a Argentina apresentou oportunidades de investimento em setores considerados estratégicos, como produção de fertilizantes nitrogenados a partir da reserva de gás de Vaca Muerta, projetos de exploração de potássio, empresas de biotecnologia agrícola e um ecossistema com mais de 160 startups de agrotecnologia. O governo argentino também destacou o Regime de Incentivos para Grandes Investimentos (RIGI), que garante estabilidade regulatória por até 30 anos para novos empreendimentos, além de benefícios fiscais, cambiais e aduaneiros para investidores estrangeiros.
Para Daltro, o fortalecimento da relação com a Argentina oportuniza a integração produtiva, a inovação tecnológica, a segurança no fornecimento de fertilizantes e atração de investimentos. “Quando aproximamos Mato Grosso de parceiros estratégicos como a Argentina, ampliamos a competitividade do nosso setor produtivo e criamos novas oportunidades de desenvolvimento para toda a economia estadual”, concluiu.




















