O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) fez críticas ao senador Wellington Fagundes (PL) por participar do XIV Fórum Jurídico de Lisboa, realizado em Portugal e organizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Para o parlamentar, a presença do correligionário no evento é incompatível com o posicionamento adotado por lideranças ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em entrevista concedida nesta terça-feira (2), Cattani afirmou considerar contraditória a participação de Wellington no encontro, conhecido nos bastidores políticos como “Gilmarpalooza”. Segundo ele, a proximidade com integrantes do STF gera desconforto entre eleitores conservadores, especialmente diante das decisões da Corte relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023 e aos processos envolvendo Bolsonaro.
“Acho uma incoerência essa participação do senador. Ele sabe da minha opinião, não estou falando nada pelas costas”, declarou.
As críticas também alcançam a deputada estadual Janaina Riva (MDB), que integra a comitiva presente no evento. A parlamentar já participou de outras edições do fórum e, em 2022, foi uma das palestrantes da programação.
A presença de Janaina ao lado de Wellington ocorre em meio às especulações sobre possíveis alianças para as eleições de 2026. Nos últimos meses, a deputada tem mantido diálogo com lideranças do Partido Liberal em busca de uma composição eleitoral, especialmente para a disputa ao Senado.
Embora tenha buscado uma aproximação com o PL em Mato Grosso, Janaina encontrou resistência de parte da sigla. Ainda assim, interlocutores avaliam que negociações entre as direções nacionais dos partidos podem alterar o cenário político nos próximos meses, principalmente diante do interesse do PL em ampliar alianças para fortalecer projetos eleitorais futuros.
Ao comentar a participação de Wellington no evento em Lisboa, Cattani afirmou não enxergar ganhos políticos para o partido.
“Não sei o que pode ter de vantagem nisso, politicamente falando. Acredito que só desvantagem. Acho que não deveria acontecer, mas ele é livre para fazer e agir da maneira que entende. O eleitor também é livre e temos a ciência de que o nosso eleitor de Mato Grosso é ciente de todas essas situações”, argumentou.
As declarações evidenciam divergências internas no PL mato-grossense. Cattani e Wellington já estiveram em lados opostos durante as discussões sobre a sucessão ao Governo do Estado. Quando o senador lançou sua pré-candidatura ao Palácio Paiaguás, o deputado manifestou preferência pelo empresário Odílio Balbinotti Filho como cabeça de chapa da legenda.
O impasse foi superado após articulação da direção nacional do partido. Wellington recebeu o respaldo da cúpula do PL para disputar o governo, enquanto Balbinotti passou a integrar o projeto eleitoral como candidato à suplência na chapa ao Senado liderada pelo deputado federal José Medeiros (PL).
















