O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deflagrou, em Mato Grosso, a Operação Gênesis, voltada ao combate ao tráfico de aves silvestres e à manutenção irregular de cativeiros clandestinos.
A fiscalização resultou em 22 autos de infração, apreensão de 54 animais silvestres e aplicação de aproximadamente R$ 1,66 milhão em multas.
Segundo o Ibama, foram realizadas 39 ações de fiscalização em diferentes municípios do Estado. Além das apreensões, cerca de 80 aves foram encaminhadas para Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas).
Durante a operação, agentes ambientais também destruíram gaiolas e anilhas irregulares, além de suspenderem diversos cadastros utilizados no sistema oficial de controle.
Entre os principais alvos da operação estavam espécies ameaçadas de extinção, como o bicudo-verdadeiro e o curió, aves valorizadas no mercado clandestino por conta do canto e frequentemente utilizadas em competições ilegais.
De acordo com o Ibama, os fiscais identificaram fraudes no Sistema de Controle e Monitoramento da Atividade de Criação Amadora de Pássaros (SisPass), incluindo registros falsos, movimentações fictícias de aves e cadastros incompatíveis com a realidade.
As investigações apontaram ainda a prática conhecida como “esquentamento”, quando animais capturados ilegalmente na natureza são inseridos no sistema como se fossem regularizados.
Os agentes também constataram adulteração e falsificação de anilhas oficiais utilizadas para identificar as aves, indicando a existência de um esquema estruturado para dar aparência legal aos animais provenientes do tráfico.
Outro ponto identificado pela fiscalização foi a manutenção irregular de cadastros ativos em nome de criadores já falecidos, além de registros vinculados a endereços inexistentes ou desatualizados.
Além das infrações ambientais, o Ibama encontrou diversas situações de maus-tratos. Segundo os fiscais, muitas aves eram mantidas em ambientes sem higiene, em gaiolas superlotadas, com alimentação insuficiente e água contaminada.
Os animais apresentavam sinais de debilidade, ferimentos, estresse e comportamento apático, indicando sofrimento prolongado.

















