O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), fez duras críticas ao modelo de concessão do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães à iniciativa privada, classificando a decisão como um “caminho fracassado” que resultou em abandono, falta de investimentos e entraves à melhoria da unidade de conservação.
Segundo o governador, a concessão turística do parque, mantida sob a gestão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), não trouxe os avanços prometidos e deixou o local sem investimentos concretos desde a assinatura do contrato.
“Eu acho que fizeram uma grande ‘M’ com a contratação dessa empresa. Está lá o parque que foi contratado e, até hoje, não teve um centavo de investimento. Ficou tudo abandonado, sem investimento. Uma vergonha”, afirmou Mendes.
Durante a crítica, o governador lembrou que o Governo do Estado chegou a manifestar formalmente interesse em assumir a gestão do parque e afirmou que havia recursos garantidos para investimentos imediatos na estrutura e na conservação da área.
“Eu disse que o governo de Mato Grosso tinha R$ 200 milhões para investir dentro do parque. Não quiseram. Fizeram a escolha de um caminho que já estava se mostrando um fracasso”, declarou.
Atualmente, o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães segue sob administração do ICMBio, enquanto a exploração turística foi concedida à empresa Parque Tour, que atua por meio do fundo Parques Fundo de Investimento em Participações e Infraestrutura (Parques FIP).
Mauro Mendes também criticou o contrato firmado com a concessionária, afirmando que cláusulas contratuais vêm sendo usadas como justificativa para a ausência de investimentos. De acordo com o ICMBio, a empresa só iniciaria as melhorias após a conclusão das obras de retaludamento no Portão do Inferno, trecho da MT-251 que passa por intervenção do Governo do Estado.
Para o governador, essa alegação não se sustenta. “Isso é uma boa desculpa para alguém que não tem capacidade de cumprir o que prometeu. Olhem se no contrato tem isso e se há algum impedimento para investir hoje. Isso é conversa fiada”, disparou.
O ICMBio informou ainda que não foi formalmente notificado sobre alterações no cronograma das obras no Portão do Inferno e afirmou que a visitação ao parque registrou queda de cerca de 20% desde o início da concessão.
Ao final, Mauro Mendes cobrou transparência e dados objetivos sobre a execução do contrato, questionando os resultados práticos da concessão e reforçando que o modelo adotado não trouxe benefícios concretos para o parque, para o turismo ou para a preservação ambiental da Chapada dos Guimarães.


















