Lumar Costa da Silva, de 34 anos, autor do homicídio da própria tia em 2019, voltou a ser internado no Centro Integrado de Atenção Psicossocial à Saúde Adauto Botelho (CIAPS), em Cuiabá, neste domingo (14). A medida foi adotada após o surgimento de novos indícios de agravamento do quadro psiquiátrico e a suspeita de envolvimento em um episódio de violência doméstica contra uma mulher, no município de Campinas, em São Paulo.
Conforme informações do Judiciário de Mato Grosso, há sinais de que Lumar teria interrompido o uso da medicação prescrita, fator que pode ter contribuído para a instabilidade clínica. A reinternação ocorre poucos meses após ele ter recebido alta médica, em junho deste ano, quando passou a residir com familiares no estado de São Paulo.
Na ocasião da alta, a Justiça autorizou o tratamento fora do ambiente hospitalar, desde que houvesse acompanhamento rigoroso no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Campinas, com supervisão de equipe multiprofissional, diante do diagnóstico de transtorno mental crônico e do histórico de periculosidade.
Lumar chegou a Mato Grosso em junho de 2019 para morar com a tia, Maria Zélia da Silva, de 55 anos, no município de Sorriso. Poucos dias depois, ele matou a vítima e arrancou o coração dela. Antes disso, havia tentado contra a vida da própria mãe em Campinas (SP).
Segundo a Polícia Civil, a família relatava que Lumar era uma pessoa considerada inteligente, falava dois idiomas e tinha histórico de uso de drogas. A convivência com a tia teria se deteriorado após o início do consumo de entorpecentes na residência. Por conta disso, ele chegou a se mudar para uma quitinete alugada pela família.
Após o crime, Lumar confessou o homicídio e declarou, à época, que teria agido por influência de “vozes” que dizia ouvir. Durante a transferência para a Penitenciária Osvaldo Florentino Leite Ferreira, em Sinop, ele ainda tentou agredir outro detento dentro do veículo de transporte prisional.
Avaliações médicas anexadas ao processo judicial apontaram que Lumar apresenta Transtorno Afetivo Bipolar tipo I. Um dos laudos destacou que o paciente não possui condições de convívio social sem acompanhamento contínuo, em razão de alterações no humor, impulsividade elevada, prejuízo do juízo crítico e risco de comportamentos agressivos.
O psiquiatra forense responsável por um dos exames concluiu que o uso de substâncias alucinógenas, como LSD, potencializou os sintomas psicóticos no período do crime. Segundo o documento, pessoas com esse transtorno associadas ao uso de drogas têm probabilidade significativamente maior de cometer atos violentos.
Os laudos indicam ainda que o tratamento psiquiátrico deve ser mantido por tempo indeterminado, diante da gravidade do quadro clínico e do histórico de violência.

















