O ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB) criticou duramente o movimento de parlamentares de direita que ocuparam o Congresso Nacional nesta semana em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e em defesa do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Para Bezerra, a atitude representa um ataque direto à democracia brasileira e compromete a imagem do país no cenário internacional.
“É um absurdo esse fechamento do Congresso. Isso está na imprensa internacional, e o Brasil é visto como uma republiqueta, como se a democracia aqui não estivesse consolidada. A estrutura democrática nossa é muito forte, acho que ela vai superar tudo isso e o Brasil vai continuar sendo uma grande democracia”, afirmou.
A prisão domiciliar de Bolsonaro foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes na última segunda-feira (4), após descumprimento de medidas cautelares no âmbito de investigações conduzidas pela Polícia Federal. A reação de parte da base bolsonarista no Congresso incluiu protestos e tentativas de obstruir os trabalhos legislativos, com registro de tumulto, agressões e tentativa de imposição de pautas pela força. Bezerra não poupou críticas à forma como o movimento foi conduzido.
“Querem acabar com a democracia, querem outro golpe. Não deram o golpe naquela época, agora estão tentando novamente”, declarou.
Para o ex-deputado, é inaceitável que se tente interferir no funcionamento das instituições democráticas com ações de força e intimidação.
“Quem pode, pode. A democracia é isso. Vai decidir democraticamente e quem vencer venceu, o outro vai cuidar de outra coisa. É isso que tem que prevalecer. Lá querem colocar uma pauta na marra. O jogo lá é físico, agressão física. Chegamos ao fundo do poço para a imagem do Brasil. Isso está espalhado para o mundo todo e depõe contra nós”, frisou.
Bezerra, que preside o MDB em Mato Grosso por décadas e tem histórico de defesa das instituições democráticas desde a redemocratização do país, lamenta que setores políticos ainda insistam em estratégias autoritárias para tentar reverter decisões judiciais ou eleitorais.


















