Uma mulher que já havia sido condenada por assassinar o marido e presa por deixar um bebê sozinho em casa foi detida novamente na tarde desta segunda-feira (28), em Várzea Grande (região metropolitana de Cuiabá). Jeanne de Almeida foi flagrada pela Guarda Municipal em um ponto de consumo de drogas no bairro Jardim Imperador.
A abordagem aconteceu após agentes identificarem movimentação suspeita em um galpão abandonado, frequentemente usado por dependentes químicos. No local, foram encontradas porções de substância análoga à pasta base de cocaína, além de cachimbos improvisados, celulares, relógios e carregadores de procedência duvidosa. Jeanne estava acompanhada de outros três suspeitos, todos monitorados por tornozeleira eletrônica e com passagens criminais. O grupo foi encaminhado para a Central de Flagrantes.
A equipe da concessionária Energisa também foi acionada para cortar uma ligação clandestina de energia elétrica que abastecia o imóvel.
Histórico de crimes
Jeanne se tornou conhecida das autoridades após ser presa em flagrante em maio de 2024, acusada de matar o companheiro, Deivison José da Silva, de 33 anos. De acordo com a investigação, ela aproveitou que o marido estava sob efeito de remédios controlados, ateou fogo no colchão em que ele dormia e trancou a porta do quarto antes de fugir. A vítima morreu carbonizada.
O crime foi julgado pelo Tribunal do Júri de Várzea Grande em junho deste ano, que condenou Jeanne a 18 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. A tentativa da defesa de justificar o crime como uma reação a um histórico de violência doméstica foi rejeitada pelos jurados.
Pouco tempo depois, em junho de 2025, Jeanne voltou a ser presa por abandono de incapaz. Na ocasião, deixou o filho de apenas quatro meses sozinho em casa. A criança foi encontrada em uma quitinete, em meio a sujeira e roupas espalhadas, após uma denúncia recebida pelo Conselho Tutelar. O bebê foi resgatado pela Guarda Municipal e ficou sob responsabilidade do Conselho. Segundo os registros, Jeanne é mãe de outros três filhos, atualmente criados pela avó materna.
A reincidência dos delitos e a vulnerabilidade das crianças sob responsabilidade de Jeanne devem pesar em novas medidas judiciais a serem analisadas nas próximas semanas.

















