Não raro vermos casos de traição e isso não acontece apenas entre casais. E a traição, leia-se, adultério, foi um tipo penal que já existiu; isso mesmo, a traição era criminalizada, era previsto no artigo 240 do Código Penal, contudo, após o advento da lei 11.106 de 28 de março de 2005 passou a não mais ser crime, fora descriminalizado esse tipo penal. O fato é que alguns não aceitam a traição e acabam por matar seu cônjuge por um fato que o legislador decidiu que não é mais crime. E na verdade quem mata é que acaba por cometer o crime.
Desde o início da humanidade temos relatos de traições.
No Brasil colônia tivemos a traição que Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes sofreu. Ele foi traído por Joaquim Silvério, homem este que ele tinha como amigo, frequentava o círculo de pessoas que estavam a favor de livrar o país das mãos de Portugal. Segundo a história Joaquim Silvério devia 700 contos ao rei de Portugal, assim o entregou à coroa portuguesa a troco da dívida, de cargo e algumas benesses.
A política é um dos melhores exemplos de casos de traição que acontece a cada dois anos. Por vezes um correligionário muda de partido e passa a trair tudo aquilo que defendia de peito aberto. Vimos isso recentemente. Aliás, políticos fazem de tudo para se manterem no cargo, inclusive matar. Quem não se lembra do caso do suplente de Vereador, aqui de Cuiabá, caso que aconteceu no ano de 2005. O suplente traiu seus correligionários quando atentou contra a vida do primeiro colocado na suplência, para ver se ele assumiria a vaga na câmara de vereadores, para isso ele teria que eliminar mais dois que estavam a sua frente. Mas acabou sendo descoberto pela polícia, inclusive foi preso à época. Aí nós vemos que o homem quando experimenta o poder embriaga-se dele. Quer continuar no poder a todo custo.
A história nos conta casos acontecidos em Roma.
Historicamente um deles aconteceu em Roma, o Imperador Júlio César, foi traído por Senadores, os quais o apunhalaram pelas costas e na hora da morte ainda reconheceu seu filho adotivo, Marcus Brutus, como um dos algozes e, ele então proferiu a seguinte frase: Até tu Brutus! Frase essa que é repetida até os dias atuais. Ai me vem em pensamento aquela máxima: a política ama a traição, mas odeia o traidor.
A Bíblia nos relata um dos casos mais conhecidos de traição, o de Judas. Este traiu Jesus por trinta moedas de prata, ainda que alguns digam que isso deveria acontecer para que se cumprisse o que estava escrito, não vou entrar nesse mérito, mas o fato é que houve uma traição e Jesus Cristo foi detido.
Faço estes comentários porque me chamou a atenção a fala de um Desembargador, onde ele disse que Judas fez estágio no Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso se referindo a traição que sofrera, após receber apenas um voto para o cargo que concorria. Penso que ele tinha em mente que seus pares lhe escolheriam para o cargo desejado e acredito que já havia conversado com seus “eleitores”, mas após o resultado viu tamanho vexame, tamanha traição.
A traição existe em todos os poderes constituídos; Executivo, Legislativo e Judiciário, e ainda nos órgãos como Ministério Público e Polícias, sempre há os pros e os contras, sempre tem o grupo que está no poder e o grupo que quer assumir o poder. E para estar no comando um grupo é capaz de trair seus pares para assumir o poder.
*Leonel Arruda é especialista em segurança pública, servidor público e escritor.




















