O avanço da soja sobre as cabeceiras do Rio Cuiabazinho é latente e precisa ser barrado sob o risco de danos irrecuperáveis ao meio ambiente”. Esta foi uma das constatações do deputado estadual Wilson Santos (PSD) durante visita as cabeceiras do rio, na divisa entre os municípios de Nobres e Rosário Oeste, no último sábado (4/2).
O parlamentar esteve na Serra Azul, onde o “avanço da sojicultura em direção às águas é assustador”, o que deixa claro o risco de poluição das águas.
“Só no município de Rosário já foram plantados 100 mil hectares de soja e a previsão da prefeitura é que a cultura chegue a 300 mil hectares, próximo a cabeceira Cuiabá do Bonito, um dos formadores do Rio Cuiabazinho. Se a agricultura avançar teremos danos irreversíveis”, explicou Wilson Santos.
Outra cabeceira encontrada na região é a Cuiabá da Larga, que também corre riscos. É a nascente mais alta do Rio Cuiabá e está a 734 metros de altitude, em Rosário Oeste.
“Essas águas vão percorrer cerca de 120 km pelo Cuiabazinho até encontrar com o Rio Manso e juntas formarem o rio Cuiabá, imenso com seus 980 km. Precisamos preservar as cabeceiras do nosso maior patrimônio natural e isso passa pela preservação das matas ciliares e da garantia de proteção contra a agricultura e a pecuária. O Cuiabá já tem muitos problemas a serem resolvidos e não queremos perder suas cabeceiras pela ação inescrupulosa de pessoas que só pensam no capital”, disse o deputado.
O professor-doutor Francisco de Arruda Machado, conhecido como Chico Peixe por conta de seu trabalho em defesa dos peixes e do meio ambiente, acompanhou as visitas e chamou a atenção para a importância da recuperação da vegetação natural.
“Minha visão remonta de uma importância primária e fundamental para a sobrevivência do Rio Cuiabá. É preciso promover a urgente recuperação da mata ciliar dos pequenos olhos de água; evitar que plantios de monocultura e pastos sejam efetivados nas proximidades dos dois mais importantes cursos de água que recebem as águas dessas nascentes, o Cuiabá da Larga e o Cuiabá do Bonito”, explicou.
“Essa região alta que abriga as nascentes não mais podem receber esses tipos de uso porque o Rio Cuiabá não tem aquífero para sustentá-lo, dependendo de toda a água das cabeceiras que convergem para ele, principalmente a de origem da época das chuvas”, completou.
“Precisamos cuidar dos nossos rios. Não temos na Baixada Cuiabana um grande aquífero de um mar de água doce subterrâneo. O que nos resta são as poucas águas de superfície. Precisamos proteger as nascentes e cuidar dos nossos rios. Temos poucas águas e precisamos delas. A consciência de cada um de nós é fundamental”, completou Wilson Santos.



















