A presidente da Câmara de Cuiabá, Paula Calil (PL), entrou de vez nas articulações para a próxima eleição da Mesa Diretora e tenta construir apoio para mudar o Regimento Interno da Casa. O objetivo é abrir caminho para disputar novamente a presidência do Legislativo. O detalhe político é que a regra que hoje pode impedir sua permanência nasceu dentro da própria estrutura que sua família ajudou a construir.
A vedação atual proíbe a recondução ao mesmo cargo dentro da mesma legislatura e está prevista no artigo 23 do Regimento Interno. O texto voltou a valer após uma mudança aprovada em 2018 ser derrubada pela Justiça.
A ironia política está justamente na origem da regra. A redação retomada é a mesma aprovada em 2016, durante a reformulação do Regimento Interno da Câmara. Naquele período, o atual deputado estadual Faissal Calil (PL), irmão de Paula, integrava a Mesa Diretora como 1º vice-presidente e participou da aprovação da resolução.
Enquanto tenta abrir espaço para disputar a permanência no cargo, Paula já admite que iniciou conversas para a composição da próxima Mesa. Em coletiva nesta semana, a presidente revelou reunião envolvendo 14 vereadores e afirmou que trabalha para construir uma composição sem vetos.
Segundo ela, o entendimento discutido foi permitir que tanto o nome dela quanto o do vereador Dilemário Alencar permanecessem no jogo político.
Ao rebater críticas sobre uma eventual recondução, Paula elevou o tom e afirmou que impedir candidaturas seria uma prática antidemocrática.
Nos bastidores da Câmara, porém, a situação ganhou uma leitura diferente. O movimento colocou no centro do debate justamente uma regra que passou pela própria Mesa ocupada pela família Calil anos atrás. Na política, às vezes, o veneno preparado para uma disputa reaparece em outra mesa.




















