Os policiais do Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Metrópole (Rotam) que já estavam detidos por suspeita de envolvimento no assassinato do advogado Renato Nery tiveram novas ordens de prisão cumpridas na tarde desta terça-feira (18/3). A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) aponta que os militares teriam forjado um confronto para encobrir o crime e, supostamente, plantar a arma utilizada na execução do ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT).
Os mandados foram expedidos contra Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wailson Alesandro Medeiros Ramos e Wekcerlley Benevides de Oliveira. Eles são investigados pelo homicídio de um homem e pela tentativa de execução de um adolescente, na Avenida Contorno Leste, em Cuiabá, seis dias após o assassinato de Nery. A intenção, segundo a Polícia Civil, era fabricar uma cena de crime para justificar o envolvimento de terceiros na morte do advogado.
Todos os envolvidos já estavam presos em unidades especializadas da Polícia Militar. Além deles, também foi detido o sargento Heron Teixeira Pena Vieira, que atualmente integra o Batalhão da Força Tática. O papel exato dele no suposto confronto ainda não foi detalhado pelas autoridades.
A investigação da DHPP também levou à prisão de Alex Roberto de Queiroz Silva, caseiro do sargento Heron. Ele é apontado como o executor de Renato Nery. Durante as diligências, a motocicleta usada no crime foi localizada parcialmente desmontada em uma oficina na cidade de Barão de Melgaço, a cerca de 100 km de Cuiabá.
O caso
O advogado Renato Nery foi morto a tiros no dia 5 de julho de 2024, em frente ao seu escritório na Avenida Fernando Correa, em Cuiabá. Na madrugada do dia 12 de julho, os militares da Rotam relataram um suposto confronto na Avenida Contorno Leste, resultando na morte de um homem e na apreensão de um adolescente de 16 anos, ferido durante a ação.
A versão oficial começou a ser questionada quando os investigadores da DHPP, responsáveis pela liberação do corpo, submeteram duas armas apreendidas no local a exames periciais. Os testes de balística confirmaram que uma delas foi usada para assassinar o advogado.
Diante das evidências, a Polícia Civil concluiu que o confronto foi forjado para justificar a posse da arma e desviar as investigações. O boletim de ocorrência da ação policial, assinado pelos próprios militares, reforçou as suspeitas ao listar Jorge, Leandro, Wailson e Benevides como participantes diretos da operação.


















