A oficialização da federação entre União Brasil e Progressistas (PP), anunciada em Brasília na terça-feira (29/4), pode levar à saída de alguns filiados em Mato Grosso, admitiu o governador Mauro Mendes (União). A nova aliança já provoca movimentações políticas no Estado, intensificando disputas internas por espaço eleitoral com vistas às eleições de 2026.
Mendes reconheceu que a federação, ao alterar a dinâmica política, gera inquietação entre os filiados, o que pode resultar em migrações partidárias nos próximos meses.
“Quando há uma movimentação dessa que vem de Brasília, é natural que em todo o país haja algum nível de inquietação. E assim como natural que nos próximos dias, semanas, meses haverá uma acomodação. E ao final, pode ser que haja migrações de um para cá e outro acolá,” declarou à imprensa.
O deputado estadual Dilmar Dal’Bosco (União), por exemplo, já anunciou sua intenção de se filiar ao PRD, e o presidente do PP em Mato Grosso, deputado Paulo Araújo, também estaria considerando a mesma mudança.
O governador criticou a perda de relevância dos partidos no Brasil, que, segundo ele, se tornaram meros instrumentos de conveniência eleitoral. “Os partidos desse país deixaram de ser algo tão relevante para o cidadão, para o eleitor e para os próprios políticos que estão migrando de um para outro de acordo com a conveniência eleitoral,” afirmou. Ele lamentou que as siglas tenham se reduzido a “siglas cartoriais,” sem representar linhas ideológicas ou aglutinar setores da sociedade.
Apesar das possíveis saídas, Mendes minimizou eventuais dificuldades na organização da federação em Mato Grosso, destacando o diálogo como ferramenta central: “A política demanda diálogo, compreender as diferenças que existem, primeiro na sociedade. E dentro dos partidos você tem pessoas que representam vários segmentos e pensamentos dentro dessa sociedade. Vamos ampliar isso agora com novos prefeitos que estão dentro dessa federação.”
Para o governador, a boa convivência e o diálogo, já praticados há tempos, facilitarão a integração. “Não vejo assim grandes mudanças, porque o diálogo e a boa convivência nós já praticamos há muito tempo,” concluiu.
















