A juíza Henriqueta Fernanda C.A. F. Lima, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, converteu em prisão preventiva a prisão em flagrante de Amanda Delmondes Benício, uma técnica de enfermagem que foi detida na última terça-feira (12) acusada de tentar atropelar seis vizinhos e agredir um deles com fios. Em 2021, a investigada se envolveu em uma polêmica após acusar o Hospital São Judas Tadeu de não dar o atendimento correto a um major da Polícia Militar, que morreu na unidade em decorrência da covid-19.
Na decisão, a juíza considerou que Amanda oferece risco à ordem pública. “As condutas da custodiada, nesta fase de cognição processual, merecem uma atuação mais enérgica deste Poder Judiciário, uma vez que a custodiada tomou condutas que poderiam facilmente ceifar a vida de uma pessoa inocente, que não tinha feito nada contra ela. Ademais, seria até satisfatório para custodiada sair pela porta da frente deste fórum no mesmo dia em que ela acabou de tentar ceifar a vida de uma pessoa inocente”, escreveu a magistrada.
Amanda foi detida após invadir a casa de seus vizinhos, no bairro Morada da Serra, em Cuiabá, e tentar atropelá-los com seu carro. Ela também agrediu uma das vítimas, Iara, com fios.
Após ser detida, Amanda foi encaminhada à Central de Flagrantes, onde foi submetida a exames médicos. Ela apresentou escoriações pelo corpo ocasionadas pela própria suspeita.
A defesa de Amanda argumentou que ela sofre de problemas psiquiátricos e que, por isso, deveria ser internada provisoriamente. No entanto, a juíza entendeu que Amanda não tem um quadro psicológico que a impeça de responder ao processo em liberdade.
“Por mais que a custodiada, de fato, possua alguns problemas psiquiátricos, este Juízo, através do auxílio da equipe psicossocial atuante no fórum da capital, descortinou a informação de que a custodiada não teria um quadro psicológico que seria capaz de ensejar a sua incapacidade. Ainda, a mesma equipe de psicólogos certificou que a custodiada sofre com surtos espontâneos, no entanto, nenhuma situação foi ponderada acerca da possibilidade de uma prisão domiciliar”, destacou.
Além da prisão preventiva, a juíza determinou que seja oficiado a assistência social do fórum da capital e a assistência social do Município de Cuiabá para acompanhar a situação pessoal do pai de Amanda, que estaria passando por sérios problemas de saúde, conforme sua defesa.
A defesa de Amanda informou que vai recorrer da decisão.
A juíza ainda encaminhou à Corregedoria da PM e Promotoria Militar, as alegações de eventuais excessos na prisão da técnica de enfermagem.
Conhecida
Em 2021, Amanda foi a uma delegacia e registrou um boletim de ocorrência contra o São Judas Tadeu. Ela, que é ex-funcionária da unidade hospitalar, acusou que o hospital teria cometido irregularidades que teriam causado a morte do major Thiago Martins de Souxa, à época com 34 anos.
No documento, Amanda citou que uma fisioterapeuta teria colocado uma máscara VNI (ventilação não-invasiva) em Thiago, e errado ao regular a pressão do aparelho. Com isso, a saturação do major teria chegado a 29% e ele teria ficado roxo. Em seguida, Amanda disse que tirou a máscara VNI e conectou uma máscara venture 15 litros no major.
O major teria conseguido mandar mensagens para amigos e familiares onde, de acordo com a técnica, relatou os maus tratos cometidos pela equipe do hospital e pediu que uma advogada registrasse um boletim de ocorrência.















