O ex-prefeito de Pontes e Lacerda, Alcino Barcellos (PL), criticou a reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, no último domingo (28), que mostrou a atuação da facção criminosa Comando Vermelho em garimpos ilegais da Terra Indígena Sararé. Para o ex-gestor, a emissora prestou um “desserviço” à região ao destacar apenas os problemas relacionados à exploração do ouro.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Alcino afirmou que a atividade garimpeira é responsável por impulsionar a economia do oeste de Mato Grosso, gerando empregos, renda e movimentando o comércio dos municípios da região.
“Volta aqui para mostrar o lado bom da nossa região. Só vem aqui para mostrar coisa ruim, eu fico triste de ver uma emissora dessa que presta um desserviço para o progresso da região oeste de Mato Grosso”, declarou.
A Terra Indígena Sararé abrange áreas dos municípios de Pontes e Lacerda, Conquista d’Oeste, Nova Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade. Segundo estimativas citadas na reportagem, cerca de 2 mil trabalhadores atuam nos aproximadamente 1,1 mil garimpos identificados na área.
Apesar da defesa da atividade mineral, Alcino afirmou que não apoia crimes ambientais nem a atuação de organizações criminosas. Segundo ele, sua defesa é voltada aos garimpeiros que trabalham dentro da legalidade e contribuem para o desenvolvimento econômico da região.
“Aqui tem emprego, aqui cresce e, infelizmente, tentar acabar com a nossa região. Globo aqui não tem só bandido, não. Aqui tem gente que trabalha, aqui tem mineiro, paulista, paranaense, muita gente do sul, agora os nossos irmãos nordestinos que descobriram a região. Volta aqui para mostrar a verdade da importância do ouro para a região”, afirmou.
A reportagem
A investigação exibida pelo Fantástico apontou que integrantes do Comando Vermelho, inicialmente contratados para fazer a segurança de garimpos ilegais, passaram a controlar a extração de ouro e a participar diretamente dos lucros da atividade criminosa. Entre as áreas dominadas pela facção estão os garimpos conhecidos como Cururu e “4”.
A reportagem também mostrou que a organização criminosa construiu uma estrutura para dificultar a atuação das forças de segurança. Armas de grosso calibre, como fuzis e metralhadoras, eram escondidas em bunkers e túneis escavados na mata, que também funcionavam como rotas de fuga durante operações policiais.
Outro ponto destacado foi o uso de mão de obra especializada para a construção de túneis destinados à extração clandestina de ouro. De acordo com a reportagem, pelo menos 31 dessas estruturas já foram destruídas em ações realizadas pelo governo federal.
















