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Estudo aponta baixo índice de vírus HTLV em doadores de sangue e reforça segurança transfusional

Da família do HIV, o retrovírus pode permanecer silencioso no organismo por anos e não causar sintomas na maioria das pessoas

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Uma pesquisa científica desenvolvida em Mato Grosso identificou uma baixa prevalência do Vírus Linfotrópico T Humano tipos I e II (HTLV-I/II) entre os doadores de sangue que utilizam o MT Hemocentro.

O estudo avaliou um banco de dados robusto, composto por 60.568 amostras coletadas no estado, e revelou que a taxa de infecção na população analisada ficou em apenas 0,10%. O índice é considerado positivo pelas autoridades de saúde, assemelhando-se aos patamares registrados em grandes hemocentros da Região Sudeste do país.

O HTLV é um retrovírus pertencente à mesma família do HIV que ataca as células de defesa do organismo (linfócitos T). Na grande maioria dos pacientes, o vírus permanece silencioso por décadas sem manifestar qualquer sintoma. Contudo, em uma parcela reduzida de indivíduos infectados, ele pode desencadear patologias graves e crônicas.

Entre as principais complicações associadas ao vírus estão a Paraparesia Espástica Tropical, uma condição neurológica degenerativa que causa rigidez e dificuldades severas de locomoção nas pernas, e a Leucemia/Linfoma de Células T do Adulto, que configura um tipo agressivo de câncer hematológico.

Do total de amostras triadas na pesquisa, 63 testaram positivo para o HTLV-I/II, sendo o ano de 2020 o período com maior oscilação na frequência de casos, atingindo 0,16%. O perfil demográfico predominante entre as amostras reagentes foi composto por mulheres na faixa etária de 31 a 45 anos, de cor parda, com ensino médio completo e atuantes no setor privado.

O monitoramento também flagrou quadros de coinfecção, nos quais o doador portava simultaneamente o HTLV e outros patógenos testados em bancos de sangue, como os vírus da hepatite B, hepatite C, HIV e a bactéria da sífilis.

A análise laboratorial foi realizada por meio da técnica automatizada de quimioluminescência, metodologia padrão na rede de saúde devido ao seu elevado grau de sensibilidade para encontrar anticorpos no sangue.

O projeto de investigação científica é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), sob a coordenação do professor doutor Ruberlei Godinho de Oliveira, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), contando com a cooperação direta do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-MT) e do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM).

A triagem para o HTLV é obrigatória por lei em todos os bancos de sangue do Brasil desde 1993. Os pesquisadores apontam que, além de blindar o sistema de transfusões contra contaminações, o rastreamento sorológico serve como uma importante ferramenta de saúde pública.

Quando um doador descobre a infecção de forma precoce, ele é imediatamente retirado do banco e integrado à Rede de Atenção à Saúde do SUS para receber monitoramento clínico preventivo especializado, interrompendo a cadeia de transmissão silenciosa do vírus.

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