Um episódio de transfobia registrado durante um torneio universitário provocou reação de diversas equipes e entidades esportivas. O caso ocorreu no último sábado (25), no Ginásio Poliesportivo da Universidade Federal de Mato Grosso, durante a competição Arena Husky.
Segundo relatos de participantes, a situação teve início após o fim de uma partida equilibrada, vencida pela Atlética Pintada. Durante o cumprimento entre as equipes, o técnico da equipe adversária teria se dirigido a uma atleta de forma inadequada, utilizando um tratamento incompatível com sua identidade.
Na sequência, ainda conforme os relatos, o mesmo técnico teria contestado o resultado da partida, alegando que não aceitaria a derrota sob a justificativa de que haveria “um homem” atuando na equipe adversária. A fala gerou indignação entre atletas e presentes, sendo interpretada como transfóbica.
O episódio motivou discussões no local, com menção até à possibilidade de medidas judiciais. No entanto, a atleta diretamente atingida optou por não formalizar denúncia naquele momento.
Após a repercussão, diversas atléticas e coletivos esportivos divulgaram notas públicas de repúdio. O Veteranos Voleibol Clube classificou o ocorrido como grave e reforçou que não há espaço para discriminação no esporte.
A Atlética Tempesta destacou que atitudes desse tipo ferem a dignidade humana e comprometem o ambiente esportivo universitário. Já a Atlética Arcaica afirmou que os atos são incompatíveis com os princípios do esporte e manifestou solidariedade às atletas envolvidas. No mesmo sentido, a Atlética Devora reiterou apoio às vítimas e defendeu um ambiente seguro, inclusivo e respeitoso.
As manifestações também mencionam que episódios semelhantes teriam atingido atletas de outras equipes, como Turuna, ampliando a repercussão do caso.
O episódio reacende o debate sobre respeito à identidade de gênero no esporte universitário e a necessidade de garantir ambientes livres de discriminação.
Lei municipal
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), sancionou lei em setembro de 2025, que estabelece o sexo biológico como único critério para definição de gênero em competições esportivas oficiais no município. A norma proíbe a participação de atletas trans em categorias femininas. A proposta foi aprovada pela Câmara Municipal e passou a valer após publicação no Diário Oficial. O texto prevê multa de R$ 5 mil para entidades que descumprirem a regra e estabelece que atletas trans devem competir conforme o sexo biológico de nascimento. Também há previsão de sanções, incluindo enquadramento por doping em caso de omissão de informação.
De autoria do vereador Rafael Ranalli (PL), o projeto foi aprovado com 19 votos favoráveis. Durante a tramitação, parlamentares defenderam a medida como forma de garantir equilíbrio competitivo nas disputas.





















