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Delegado diz que Carlinhos Bezerra utilizava GPS e escutas para monitorar Thays Machado

O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra foi indiciado pela Polícia Civil na sexta-feira por homicídio qualificado e ainda por feminicídio

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Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (30/01), o delegado Marcel Oliveira disse que o empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, 57 anos, utilizava aparelhos de GPS para monitorar em tempo real a ex-companheira Thais Machado, 44 anos. Thais e o namorado dela, Willian César Moreno, 40, foram assassinados a tiros pelo empresário no dia 18 de janeiro, em frente a um prédio no Bairro Consil, em Cuiabá.

Carlos Alberto Gomes Bezerra

Na última sexta-feira (27/01), o delegado concluiu o inquérito, indiciando Carlinhos Bezerra por homicídio qualificado e perseguição majorada e também por feminicídio, pela morte de Thays. Marcel Oliveira, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá, encaminhou o inquérito ao Poder Judiciário e Ministério Público de Mato Grosso para a sequência dos atos de persecução penal.

Durante entrevista a jornalistas, o delegado mostrou os equipamentos utilizados para o monitoramento e que foram apreendidos na residência do empresário.

“Foram localizados GPS veicular, como também escutas ambientais, tudo devidamente apreendido e relatado em relatório técnico, as especificações de cada um dos produtos. E também neste caderno aqui, que está apreendido, estão as anotações do dia e horário que os aparelhos foram instalados no carro e por quanto tempo duraria a bateria, ou seja, até que dia com aquela bateria ele poderia estar monitorando”.

O delegado disse ainda que foram encontrados pela polícia 71 prints (capturas de tela) de localizações por onde a vítima Thais Machado passava. Todos os dados gravados eram passados para o celular de Carlos Alberto Gomes Bezerra, que é filho do deputado federal Carlos Bezerra.

“Ele imprimia esta geolocalização que a vítima tinha, ou seja, os principais locais que a vítima frequentava. Por exemplo, dia de domingo, Igreja de São Gonçalo, porque ela era Católica e frequentava aos domingos a Igreja de São Gonçalo”, explicou o Delegado Marcel Oliveira. Ele disse ainda que havia registros dos colégios que ela tinha ido para realizar a rematrícula da filha dela.

Thays Machado

Havia até mesmo o registro das clínicas veterinárias que ela visitava, já que criava cachorros e ia nos locais tratar de assuntos relacionados como a tosa ou consulta dos animais. Ele chegava a ligar para Thais perguntando onde ela estava determinado dia para conferir se batia com as notações que ele tinha feito com base no monitoramento feito.

“Então os passos dela, a gente constatou através destes 71 prints, que foram todos juntados aos autos do inquérito, inquéritos concluídos com quatro volumes, cada volume com cerca de 200 páginas. Em três dias a gente trabalhou para justamente mostrar isso e as provas que a gente trouxe para os autos foram justamente estas, que a gente demonstrou a necessidade de se fazer uma busca e apreensão porque havia perguntas que precisavam ser respondidas”.

Segundo o delegado, os equipamentos foram instalados pelo empresário durante o período em que ele estava no relacionamento com a vítima.

“A gente achou tanto do período do final de 2021 quanto de meados de 2022. Então através de todo o mapeamento ele sabia os horários que a vítima estava no trabalho, sabia os horários que a vítima frequentava a casa da mãe, sabia os locais que a vítima frequentava nos finais de semana”.

Escutas

Marcel Oliveira disse ainda que não saberia dizer onde as escutas foram colocadas, mas que de todas as testemunhas ouvidas nos autos, uma chama a atenção. Em setembro ou outubro do ano passado, Carlos Alberto e a vítima já tinham rompido o relacionamento e Thays havia ido com alguns amigos do trabalho em um Pub, em Cuiabá.

“Coincidentemente, ao sair com os amigos deste pub, ele estava em frente ao pub e tentou jogar o carro contra ela [Thays]. Então a gente tem estes relatos dentro do inquérito e são justamente estas questões: como é que ele sabia que ela estaria ali justamente em frente daquele pub saindo com os amigos do trabalho?”, indagou.

Os amigos de Thays também relataram ao delegado históricos de violência, tanto que Carlos Alberto foi impedido de entrar nas dependências do Fórum de Várzea Grande, onde Thais trabalhava.

“Justamente por questões relacionadas a violência contra funcionários e contra a própria Thays Machado. Foi registrado um boletim de ocorrência por parte do funcionário que foi interpelado por ele. Não ouve nada direcionado nessa situação a Thays, mas a situação concreta, a Thays teria tido um aniversário de um servidor ali da Vara e ela teria mandado parabéns e ele teria agradecido aos parabéns. E essa mensagem por si só, ensejou a ida dele até o Fórum e a interpelação dele de forma grosseira e arrogante, partindo para cima desse servidor”, disse o delegado, acrescentando que este fato motivou a intervenção da Polícia Militar que cuida da segurança do Fórum de Várzea Grande, sendo então lavrado um boletim de ocorrência tendo como vítima o servidor.

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