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Deepfake de cunho sexual atinge deputado Júlio Campos e expõe fragilidade no combate a crimes virtuais em MT

Em nota, Júlio Campos classificou o episódio como o ataque mais grave sofrido ao longo de cinco décadas de vida pública. E

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A circulação de um vídeo manipulado por inteligência artificial, com conteúdo sexual atribuído falsamente ao deputado estadual Júlio Campos (União Brasil), levou a Assembleia Legislativa de Mato Grosso a reagir publicamente e reacendeu o debate sobre a estrutura de enfrentamento aos crimes cibernéticos no estado.

Presidente da Casa, o deputado Max Russi (PSB)** colocou a Procuradoria do Parlamento à disposição do colega e afirmou que o episódio ultrapassa o campo pessoal, atingindo a própria integridade do processo democrático.

“A Casa está à disposição. A Procuradoria, a Presidência e o Parlamento darão todo o suporte jurídico necessário. As providências serão tomadas conforme o deputado entender adequado, mas ele não estará sozinho”, declarou Russi.

Risco ampliado em ano eleitoral

O presidente da Assembleia associou o caso ao avanço do uso de inteligência artificial para fabricação de conteúdos falsos e ao ambiente de pré-campanha eleitoral. Segundo ele, a tendência é de aumento da circulação de materiais manipulados à medida que o calendário político avança.

Para Russi, o impacto desse tipo de conteúdo pode ser significativo, especialmente sobre eleitores que passam a acompanhar o debate público mais intensamente próximo ao pleito. Ele afirmou confiar na atuação da Justiça Eleitoral, mas defendeu atenção redobrada ao tema por parte das autoridades.

Dificuldade para registrar ocorrência

Alvo do vídeo produzido por meio de deepfake, Júlio Campos relatou ter enfrentado obstáculos para formalizar a denúncia. De acordo com o parlamentar, ele percorreu cinco delegacias, incluindo a unidade especializada em crimes virtuais, sem conseguir atendimento imediato. O boletim de ocorrência só foi registrado após contato direto com um delegado.

O episódio motivou a apresentação de uma indicação ao governador Mauro Mendes (União Brasil)** e ao secretário de Estado de Segurança Pública, César Roveri, solicitando a implantação de plantão 24 horas para atendimento a vítimas de crimes cibernéticos na Polícia Civil de Mato Grosso.

O deputado argumenta que a volatilidade das provas digitais — como registros de IP, publicações e compartilhamentos — exige resposta rápida do Estado. Segundo ele, a ausência de atendimento fora do horário comercial compromete a eficácia da investigação.

Judicialização e responsabilização

Em nota, Júlio Campos classificou o episódio como o ataque mais grave sofrido ao longo de cinco décadas de vida pública. Ele informou que adotará medidas judiciais contra os responsáveis pela produção e disseminação do conteúdo.

O parlamentar também alertou veículos de comunicação e usuários de redes sociais sobre a responsabilidade ao compartilhar material de origem duvidosa. “Ao replicar esse tipo de conteúdo, a pessoa contribui para a continuidade de um crime”, afirmou.

O caso expõe não apenas a vulnerabilidade de figuras públicas diante das novas tecnologias, mas também os desafios institucionais para conter a propagação de fraudes digitais em tempo real. Em um cenário político cada vez mais mediado por redes sociais, o episódio acende um sinal de alerta sobre os limites entre liberdade de expressão, manipulação tecnológica e crime.

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