O presidente afastado da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), Aron Dresch, publicou uma carta aberta em seu perfil no Instagram, na noite desta terça-feira (27), após a Justiça determinar que o advogado Thiago Dayan da Luz Barros assuma, de forma provisória, o comando da entidade. No comunicado, Dresch afirmou que seu afastamento não se dá por “intervenção, revogação ou invalidação” de sua gestão, mas sim por uma “lacuna no processo sucessório”, já que não houve eleição para a presidência.
A decisão que retirou Aron Dresch do cargo foi assinada na noite de segunda-feira (26) pela juíza Ana Cristina Silva Mendes, da 4ª Vara Cível de Cuiabá. Ela nomeou Thiago Dayan como interventor, com a missão de conduzir administrativamente a FMF e organizar um novo processo eleitoral.
Na carta, Aron destacou que não há qualquer juízo negativo sobre seus atos na presidência e que sua gestão segue legítima. “Quando a Justiça determina, a gente cumpre. Como sempre fizemos: dentro da lei”, declarou. Ele também enfatizou os avanços conquistados durante sua passagem pela federação, como o crescimento do número de clubes filiados, fortalecimento das categorias de base e do futebol feminino, além da realização de 511 jogos só em 2024 — número recorde no futebol mato-grossense.
A intervenção na FMF decorre de uma ação movida pela Associação Camponovense Celeiro de Futebol, que questionou a legalidade da candidatura de Dresch a um terceiro mandato, o que é vedado pelo estatuto da entidade. A associação também alegou ter sido impedida, de forma irregular, de votar no pleito que estava marcado para 3 de maio, suspenso pela mesma juíza.
Na decisão, a magistrada destacou que, além das supostas irregularidades, a FMF recebe recursos públicos por meio de convênios com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), o que justifica o acompanhamento do caso pelo Ministério Público, que atua como fiscal da lei no processo.
A juíza Ana Cristina Mendes também agendou uma audiência de conciliação entre a FMF e o Camponovense para a próxima sexta-feira (30), às 14h, no Fórum de Cuiabá, buscando uma solução para o impasse.
Ao final da carta, Aron Dresch reforçou que espera voltar à presidência, caso essa seja a vontade dos clubes. “Eu espero que isso não seja uma despedida, mas sim um até breve. Bem breve — se for da vontade daqueles que suam verdadeiramente pelo nosso futebol”, concluiu.

















