A inauguração do primeiro trecho da Ferrovia Estadual Vicente Vuolo, em Dom Aquino, a 172 quilômetros de Cuiabá, transformou-se em um palco de embate político entre lideranças ligadas ao governo federal e representantes do grupo que comanda Mato Grosso. O evento, realizado nesse sábado (20/6), ocorreu em meio às articulações que antecedem as convenções eleitorais e foi marcado por cobranças, críticas e disputa pela narrativa sobre os investimentos que viabilizaram a obra.
Presente na cerimônia, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), destacou a participação da União no financiamento do projeto e defendeu a ampliação da malha ferroviária nacional. Segundo ele, a ferrovia terá papel estratégico para o escoamento da produção mato-grossense até o Porto de Santos e deverá avançar futuramente até Lucas do Rio Verde.
“A ferrovia é importantíssima para levar a produção de todo o Mato Grosso para o Porto de Santos, o maior da América Latina. Aqui teve R$ 2 bilhões do BNDES. Hoje, na matriz de transporte brasileira, 20% é ferrovia. A meta é chegar a 35%”, afirmou.
Também presente no evento, o ministro dos Transportes, George Santoro, acompanhou a agenda ao lado de autoridades estaduais e federais.
Em discurso direcionado ao governo federal, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) reconheceu a presença de Alckmin, mas cobrou maior participação da União em projetos estruturantes e políticas voltadas ao desenvolvimento econômico.
“Mas nós merecemos mais. Merecemos mais ferrovias, mais oportunidades para os empreendedores investirem sem medo de quebrar no meio do caminho”, declarou.
As críticas mais contundentes partiram da médica e pré-candidata ao governo de Mato Grosso, Natasha Slhessarenko (PSD). Ela acusou a gestão estadual de minimizar a contribuição financeira da União nas obras executadas no estado e classificou a postura como uma tentativa de ocultar o papel do governo federal.
“Vemos placas enormes do governo estadual e placas muito pequenas do governo federal, sabendo que o governo federal é que realmente tem investido grande parte dos recursos. Não tem como dizer que não é desonestidade”, afirmou.
Ao citar os cerca de R$ 2 bilhões liberados por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Natasha defendeu que o debate político seja conduzido a partir das necessidades de Mato Grosso, e não por alinhamentos ideológicos.
Do outro lado, o ex-governador Mauro Mendes (União), pré-candidato ao Senado, rebateu as declarações e minimizou a disputa por protagonismo em torno da obra. Para ele, o financiamento obtido junto ao BNDES não pode ser tratado como mérito político de qualquer esfera de governo.
“O banco financiador tem a sua importância, mas tudo que é financiado vai ser pago com juros e correção monetária. Isso não é mérito político de ninguém”, disse.
A troca de críticas evidenciou o clima de pré-campanha que já domina o cenário político mato-grossense e transformou a entrega de uma das principais obras de infraestrutura do estado em um termômetro das disputas que devem marcar as eleições de 2026.

















