A disputa entre o Executivo e o Legislativo de Várzea Grande ganhou novos contornos nesta quarta-feira (10), após o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), subir o tom contra a gestão da prefeita Flávia Moretti (PL). Ao comentar o debate sobre o percentual de remanejamento do orçamento municipal, o parlamentar afirmou que a Prefeitura dispõe de recursos suficientes para enfrentar os principais problemas da cidade, mas não tem conseguido apresentar resultados concretos.
A declaração foi feita durante entrevista em que Wanderley defendeu a manutenção do limite de 5% para remanejamentos orçamentários. Segundo ele, o percentual representa cerca de R$ 100 milhões, valor considerado expressivo diante da realidade enfrentada pela população.
“Cinco por cento não é pouco. O orçamento deste ano é de R$ 2 bilhões e 37 milhões. R$ 100 milhões não é pouco. É muito dinheiro para quem não está fazendo nada”, disparou.
O presidente da Câmara argumentou que o Legislativo não pretende impedir a gestão municipal de realizar ajustes financeiros, mas quer exercer sua função fiscalizadora e acompanhar de perto a destinação dos recursos públicos. Segundo ele, caso a Prefeitura comprove necessidade de ampliar o percentual autorizado, um novo pedido poderá ser analisado pelos vereadores.
Durante as críticas, Wanderley questionou a forma como o orçamento municipal vem sendo executado. Ele lembrou que Várzea Grande conta com uma previsão orçamentária superior a R$ 2 bilhões em 2026, valor acima do registrado em anos anteriores, mas que, na sua avaliação, não tem se convertido em melhorias visíveis para a população.
Como exemplo, o parlamentar citou a situação da saúde pública. Para ele, é inadmissível que uma cidade com um dos maiores orçamentos da história continue enfrentando dificuldades para manter o funcionamento adequado dos serviços essenciais.
“O que a Câmara quer fazer é fiscalizar, saber para onde está indo o dinheiro. Porque o que não pode é ter pronto-socorro fechando portas com R$ 2 bilhões e 37 milhões de orçamento”, afirmou.
As críticas também atingiram a infraestrutura urbana. Wanderley disse que a população continua convivendo com ruas deterioradas e problemas de manutenção em diversos bairros, apesar da disponibilidade de recursos nos cofres municipais.
“Você vê a cidade toda esburacada. Até hoje não gastou R$ 2 milhões com tapa-buracos. É uma situação complicada”, declarou.
Segundo o presidente do Legislativo, a atual administração recebeu autorização para realizar remanejamentos significativos no orçamento, incluindo um percentual que, segundo ele, representaria aproximadamente R$ 500 milhões ao longo do período. Diante disso, o vereador cobra mais transparência e prestação de contas por parte da Prefeitura.
Além da discussão sobre o orçamento, Wanderley afirmou que a Câmara tem intensificado a fiscalização sobre atos da administração municipal. Entre os assuntos acompanhados pelos vereadores estão pedidos de esclarecimentos relacionados a decisões do Executivo e ao cumprimento de recomendações de órgãos de controle.
As declarações evidenciam o aumento da tensão política entre a Câmara e a Prefeitura. Enquanto o Executivo busca maior flexibilidade para movimentar recursos dentro do orçamento, o Legislativo sinaliza que pretende ampliar a fiscalização sobre os gastos públicos e cobrar resultados mais efetivos em áreas consideradas prioritárias pela população.
No centro do debate estão justamente os serviços essenciais. Para Wanderley, a existência de um orçamento bilionário deveria garantir avanços em setores como saúde e infraestrutura. A permanência de problemas como dificuldades no pronto-socorro e ruas esburacadas, segundo ele, demonstra falhas na gestão dos recursos públicos e reforça a necessidade de um acompanhamento mais rigoroso por parte da Câmara Municipal.

















