A Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Adunemat) entrou na Justiça contra o ex-deputado estadual Ulysses Moraes (Podemos) e pede condenação de R$ 135 mil por danos morais coletivos e prejuízos institucionais. A ação tramita na Comarca de Cáceres e tem como base um episódio ocorrido em 30 de abril deste ano no câmpus Jane Vanini, da Unemat.
Segundo a entidade, Ulysses invadiu áreas da universidade, arrancou cartazes fixados nas dependências da instituição e publicou vídeos nas redes sociais com acusações consideradas falsas e ofensivas. O ex-parlamentar gravava o conteúdo para o Instagram, plataforma onde acumula mais de 870 mil seguidores.
Nas imagens, o bolsonarista associou a instalação de painéis solares da universidade a um suposto financiamento da “ditadura cubana”, afirmação classificada pela Adunemat como desinformação. Ele também atacou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), chamado por ele de “movimento terrorista”.
Ainda durante a gravação, Ulysses arrancou cartazes do campus e os jogou no lixo. “Isso aqui vai pro lugar de onde nunca devia ter saído”, afirmou no vídeo.
Na ação judicial, a associação sustenta que houve abuso da liberdade de expressão e ataque direto ao patrimônio público universitário. Os docentes alegam que as declarações atingiram a imagem da universidade e a honra coletiva dos profissionais da instituição.
Além do pedido de indenização — sendo R$ 100 mil por danos morais coletivos e R$ 35 mil por danos institucionais — a Adunemat também incluiu a Meta Platforms Brasil, responsável pelo Instagram, no processo. O objetivo é retirar o conteúdo da plataforma.
Os advogados da associação afirmam ainda que existe risco de novos episódios, já que o próprio ex-deputado teria ameaçado retornar ao campus durante a gravação.
Conhecido nas redes sociais pelo slogan “cara da direita”, Ulysses Moraes vem se articulando como pré-candidato a deputado estadual nas eleições deste ano. Recentemente, ele deixou o cargo que ocupava na Assembleia Legislativa após críticas relacionadas à produção de vídeos políticos durante o expediente. Segundo reportagem do jornal A Gazeta, ele recebeu mais de R$ 785 mil em salários no período em que atuou na ALMT.


















