O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi (Podemos), classificou como “lamentável” a denúncia envolvendo uma suposta “lista de alunas estupráveis” atribuída a estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. A declaração foi feita durante sessão ordinária realizada nessa quarta-feira (6).
Durante o pronunciamento, o parlamentar afirmou que a Assembleia acompanhará os desdobramentos das investigações e informou ter determinado que a Procuradoria da Mulher e a Procuradoria da Casa monitorem o caso.
“Vocês imaginam abrir um site de notícias e ler que estudantes da UFMT, um ambiente de ensino, criaram uma lista de alunas estupráveis. É isso mesmo, uma lista de alunas estupráveis. Isso é lamentável”, declarou.
Max disse ter ficado indignado com o teor das mensagens denunciadas pelo movimento estudantil e afirmou que a situação causa preocupação entre famílias de estudantes universitários.
“Eu tenho minha filha que vai agora para a universidade e fico pensando num absurdo como esse. Não é aceitável que as nossas mulheres, que passaram em universidade federal e estão realizando o sonho de suas famílias, estejam à mercê de uma violência gratuita”, afirmou.
O presidente da Assembleia também destacou que a universidade não pode ser responsabilizada pelas atitudes individuais dos estudantes, mas defendeu medidas rigorosas contra os envolvidos.
“A universidade não tem culpa do que os alunos estão praticando, mas medidas duras têm que ser tomadas. Não podemos aceitar isso porque começa assim e, quando você vê, algo triste acontece e mulheres são expostas”, disse.
Durante a fala, o presidente citou o deputado estadual Sebastião Rezende ao mencionar que o parlamentar comentou sobre uma possível atuação da Polícia Federal no acompanhamento do caso dentro da UFMT.
“As mulheres têm o direito de estar e fazer o que quiserem e nós temos o dever de garantir esse direito. A Assembleia vai estar ao lado acompanhando isso de perto”, completou.
A denúncia veio à tona após o Centro Acadêmico VIII de Abril, da Faculdade de Direito da UFMT, divulgar uma nota de repúdio denunciando mensagens atribuídas a estudantes com conteúdo misógino e referências à criação de uma suposta “lista de alunas estupráveis”.
Segundo o documento, conversas em aplicativos de mensagens mencionavam a elaboração de uma lista classificando alunas ingressantes como “estupráveis”, além de comentários sobre intenção de molestar colegas de sala. O movimento estudantil afirmou que o conteúdo circulou entre estudantes do curso de Direito e de outros cursos da universidade.
Na nota, os estudantes classificaram as mensagens como incompatíveis com princípios éticos, jurídicos e humanos, além de alertarem para a banalização da violência sexual dentro do ambiente acadêmico.
O caso também foi relacionado a episódios recentes de assédio e violência contra mulheres no campus da UFMT, incluindo a lembrança do assassinato de Solange, vítima de estupro dentro da universidade no ano passado.
Após a repercussão, a UFMT informou que instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos. A instituição também declarou repudiar qualquer forma de misoginia, violência e violação de direitos humanos no ambiente acadêmico.
















