O vereador Arquimedes Dias Pedrozo (PSB), de 46 anos, e seu irmão, Agostinho Dias Pedrozo, são alvos de investigação da Polícia Civil por organizarem passeios ilegais no Parque Estadual da Gruta da Lagoa Azul, em Nobres, a 151 km de Cuiabá. A área está interditada desde 2001 devido à sua fragilidade ambiental. O caso também foi encaminhado à Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), que administra a unidade de conservação.
Segundo denúncia obtida pelo portal g1, os passeios teriam como objetivo promover a pousada de Arquimedes, que fica nas proximidades do parque, mas fora de seus limites. A entrada no local é proibida por lei, e a visitação tem gerado acúmulo de lixo, abertura clandestina de trilhas e degradação das cachoeiras.
A investigação começou há cerca de um mês, quando o vereador foi flagrado pela Polícia Militar com um grupo de 24 turistas dentro da cachoeira conhecida como “Cachoeira dos Namorados”. Os visitantes afirmaram ter pago R$ 480 a um guia pelo passeio — valor que coincide com o pacote oferecido na pousada de Arquimedes, que inclui hospedagem e trilha.
O irmão do vereador, Agostinho, afirmou não ser dono da pousada, mas confirmou que administra um rancho na região. Ele admitiu que o local é utilizado como restaurante e ponto de apoio para turistas, mas disse desconhecer a proibição de acesso à trilha. Segundo a denúncia, ele teria autorizado a visita à cachoeira, mesmo sabendo da restrição legal.
As denúncias ainda indicam que os irmãos são responsáveis pela abertura de trilhas irregulares, construção de uma represa conhecida como “Banho da Princesa” e uso indevido de imagens da Cachoeira dos Namorados para atrair visitantes.
Além disso, imagens entregues à polícia mostram turistas dentro da área protegida, banhando-se em córregos, com lixo espalhado entre as pedras, churrasqueiras improvisadas e placas promovendo a pousada espalhadas pelas trilhas — algumas com contatos da hospedagem do vereador.
Agostinho também foi denunciado por práticas como desmatamento, extração ilegal de madeira e construção de pontes e barracos no interior do parque, com o intuito de facilitar o turismo clandestino.
A Sema informou que recebeu um relatório com todas as denúncias e já está tomando providências. A Polícia Civil trata o caso sob sigilo.
O Parque Estadual da Gruta da Lagoa Azul abriga riquezas naturais como a famosa gruta e diversas cachoeiras, incluindo a dos Namorados. Mesmo com a interdição, passeios ilegais continuam sendo vendidos por guias clandestinos. Em março de 2024, o g1 revelou que os valores para visitar a área proibida variavam de R$ 250 a R$ 480 por pessoa.
As punições para esse tipo de visitação passaram a ser formalizadas neste ano com a publicação da Portaria nº 152/2025, que reforça a proibição da entrada de visitantes no local.

















