Bruna Felsk de 26 anos se apresentou na delegacia de Terra Nova do Norte na tarde desta segunda-feira (24), e foi interrogada pelo delegado José Getúlio Daniel. Bruna afirmou em depoimento prestado à Polícia Civil que, após matar Genuir de Barros e Marcelo de Barros, respectivamente, pai e filho da suposta amante de seu marido – identificada até o momento como Marciele -, jogou a arma usada no crime em um rio, enquanto fugia. O crime aconteceu no último sábado (22), em Terra Nova do Norte (663 km de Cuiabá).
Bruna contou que é casada com R., desde maio de 2021, e teria engravidado em abril deste ano. Segundo ela, o casal sempre se deu bem, mas após a gravidez o esposo teria se distanciado um pouco.
Em julho, Bruna chamou o marido para conversar, e ele teria dito que estava tudo bem e não teria problemas entre eles. Em uma noite de setembro, a suspeita disse que esperou o companheiro dormir e pegou seu celular. Lá ela viu conversa do marido com M.B..
Ela acordou o marido e o confrontou, sendo que ele não negou os fatos. Após o episódio, Tatiane foi passar uns dias na casa da sua mãe, mas deixando claro que não teria se separado do marido.
Quando retornou para a residência do casal, já no início deste mês, Bruna pegou novas conversas de R. com M.. Na ocasião, o marido disse que amava a esposa e não desejava se separar. Eles teriam decidido passar uma “borracha” em tudo e seguir em frente.
Bruna conhecia M.B., pois os filhos de ambas estudavam na única escola que tinha na cidade. A suspeita disse que chegou a conversar com a mãe da rival, mas segundo ela, a mulher não teria dado tanta importância para o caso que a filha estava tendo com um homem casado.
Já no dia do crime, Bruna contou que combinou com sua mãe e seu pai, que iriam à fazenda onde R. trabalhava para catar pequi. Ela disse que quando chegaram no local, ela pediu dinheiro para o marido para tirar sobrancelha e tomar uma injeção.
O marido teria dito para ela pegar na caminhonete o dinheiro. Lá ela encontrou uma nota de duzentos e disse que visualizou a arma de fogo. Ela retornou e disse que não iria gastar aquele dinheiro e pegaria outro com seu pai.
Para seguirem o destino, eles teriam que passar em frente à casa da suposta amante do seu marido. Bruna então resolveu parar para conversar com o pai da M.B., e contar sobre o caso da filha e R..
Bruna disse que em certo momento pensou em desistir, mas acabou sendo encorajada pela mãe. Já no local, elas foram recebidas por Genuir, e contaram sobre o caso, que na hora o idoso chamou por sua esposa M.T., que chegou, segundo a suspeita, proferindo palavras de baixo calão, como vagabunda.
Neste tempo, R. chegou na propriedade e tentou colocar Bruna na caminhonete, mas ela preferiu entrar no veículo do pai. Segundo ela, quando sua mãe ia entrar na caminhonete, Marcelo, irmão de M.B., veio em direção dela e xingando, bateu a porta do veículo na senhora.
A suspeita disse ainda que Marcelo foi em sua direção e deu um soco em seu rosto, fazendo ela cair no chão. Para defender a filha, o suspeito pegou no carro um facão e foi para cima de Marcelo.
Assustada, Bruna disse que para defender o pai, correu na caminhonete do marido, pegou a arma e atirou contra Marcelo. Segundo ela, disparou sem direção certa.
Ela narrou ainda que quando atirou em Marcelo, Genuir veio em sua direção e ela para se defender também atirou contra o idoso, jogando no chão a arma.
M.B., segundo Bruna, teria ido para cima dela, a jogado no chão, sentado em sua barriga e começado a lhe agredir. O pai para defender a filha, pegou o facão e acertou na bunda de M.B..
Bruna disse que quando saíram da propriedade, ela descarregou a arma, tirou o ‘pente’, e no primeiro rio a caminho do município de Colíder, ela jogou a arma.
Ela disse que seu esposo teria dado a arma para seu pai. Bruna disse ainda não se lembrar se o marido ficou a todo tempo no local dos fatos, pois estava cega e desesperada. Bruna e seus pais foram para casa, e no dia seguinte deixaram a residência por segurança.
No final do depoimento, Bruna disse que o marido teria um processo anterior de homicídio culposo na direção de veículo automotor. Ela falou que o esposo sempre andou com a arma no console do carro, e que todos os moradores, amigos, tinham conhecimento.


















