CUIABÁ

Vamo breganhá

*Por Vanderlei Munhoz

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Quando éramos crianças, morando na roça, com o linguajar simples do interior paulista, quase sempre falando errado, tínhamos o hábito de breganhá. Isso mesmo, breganhá!

Vamos breganhá essa vaca por este cavalo?

Vamos breganhá esse porco por este carneiro?

Os animais eram os brinquedos que tínhamos, feitos de mamão, manga ou abobrinhas, espetados por galhos secos e finos das árvores do quintal. As breganhas eram justas, limpas e honradas.

Hoje, homens públicos estão barganhando. A expressão não tem a simplicidade do interior, nem sua honestidade. Não são justas, limpas e muito menos honradas. São feitas na calada da noite, às escondidas, com os acordos mais espúrios e nojentos que às vezes sequer ousamos imaginar.

Nas próximas horas, adversários se tornarão aliados, inimigos se abraçarão e desfilarão como velhos amigos, quem caminhava junto se juntará ao adversário e outros negarão o que defenderam até recentemente. Faca nas costas, traição e negociatas dominarão o cenário político. Nas semanas seguintes, delatados, filmados, acusados de corrupção e até aqueles que em um passado muito próximo estavam encarcerados ou usando tornozeleiras, desfilarão em nosso meio, tentando barganhar nosso voto por promessas absurdas que jamais cumprirão. Eles sabem que após o resultado das urnas, poderão mergulhar novamente no mar da corrupção e assim continuarão curtindo a vida nos condomínios de luxo, viajando pelo mundo ou desfilando em seus carrões importados.

Estamos cansados disso, não? E por que não mudar essa história?

Que tal breganhá as velhas raposas que há anos estão no poder usurpando o dinheiro público, por candidatos ficha limpa, caras novas e com propostas honestas e decentes? E se estes barganharem nossa confiança, num futuro próximo, breganharemos eles também.

*Vanderlei Munhoz é Radialista

Barganha: transferência mútua de coisas entre seus respectivos donos; troca.

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