O impasse em torno da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores públicos de Mato Grosso começa a ganhar contornos mais duros. Diante do atraso no envio do projeto de lei à Assembleia Legislativa, a Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso (Fessp) voltou a colocar a greve no radar como possibilidade real, ainda que tratada como última alternativa diante da falta de resposta do governo estadual.
A presidente da entidade, Carmem Machado, afirmou nesta quarta-feira (14) que o clima entre servidores ativos, aposentados e pensionistas é de profunda insatisfação. Segundo ela, o adiamento sucessivo da matéria reforça a sensação de descaso com uma categoria que mantém o funcionamento do serviço público. Para Carmem, o atraso não é apenas administrativo, mas simbólico. “O recado que o governo passa é de que os servidores podem sempre esperar. Isso fere o princípio da valorização e do respeito. A categoria está cansada de ser tratada como prioridade secundária”, declarou.
O descontentamento aumentou após o Executivo anunciar o índice de 4,26%, baseado no IPCA, sem, no entanto, encaminhar o projeto ao Legislativo para votação. Para o movimento sindical, o percentual é insuficiente e ignora perdas acumuladas estimadas em 19,5%, referentes ao período da pandemia, quando os reajustes salariais ficaram congelados por força de legislação federal.
A dirigente lembrou que a discussão sobre a RGA não afeta apenas servidores do Poder Executivo, mas envolve mais de 105 mil trabalhadores vinculados a diferentes estruturas do Estado, incluindo a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Contas e outros Poderes. “É um debate que impacta diretamente milhares de famílias em Mato Grosso”, ressaltou.
Apesar da crescente insatisfação, Carmem Machado afirmou que a Fessp tem insistido no caminho do diálogo institucional. No entanto, deixou claro que a disposição para negociação não é ilimitada. “A greve é um instrumento legal, histórico da classe trabalhadora, mas sempre o último a ser utilizado. O que queremos é diálogo. Se ele não vier, não teremos outra saída senão endurecer o movimento”, declarou.


















