Quilombolas do Mata Cavalo são acordados com ameaças de fazendeiro que diz ser dono das terras

Os funcionários do fazendeiro apresentaram uma liminar emitida pela Justiça de Várzea Grande que o autorizava a ficar no local, e começou a cortar as cercas do espaço e ameaçar os moradores.
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Por Esportes & Noticias

Um fazendeiro e dois homens fortemente armados levaram o terror na manhã deste domingo no Quilombo Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento. Alegando ser proprietário da área onde os quilombolas vivem há mais de 100 anos eles queriam que todos fossem embora e justificaram decisão judicial.

A líder quilombola que preside a Associação Sesmaria Boa Vida Quilombo Mata Cavalo, Gonçalina Santana disse que os moradores do Mata Cavalo foram acordados com ameaças e confusão. Os funcionários do fazendeiro que alega que as terras são suas e tem uma casa construída no território, apresentaram uma liminar emitida pela Justiça de Várzea Grande que o autorizava a ficar no local, e começou a cortar as cercas do espaço e ameaçar os moradores.

“Hoje nós passamos por um episódio que a gente não acredita que está acontecendo numa terra que já está há mais de vinte anos reconhecida como sendo dos quilombolas e a gente ainda tem que estar amanhecendo em pleno domingo com empregados de fazendeiro perturbando. A Justiça Estadual até hoje não aprendeu que território de quilombo é território federal”, afirmou.

Gonçalina disse que a liminar foi emitida pelo juiz André Maurício Lopes Priolo, da Segunda Vara Cívil da Comarca de Várzea Grande, no último dia 13 de novembro de 2020. Nela, ele expediu um mandato proibitório contra a Associação e dando um prazo de 15 dias para as partes, “devendo constar ainda do mandado as advertências referentes à revelia”. O juiz afirma que a ação foi proposta por Gonçalo Luis Alberto da Silva e Maria Benedita Alves Martins, em desfavor da Associação Quilombo de Mata Cavalo. Gonçalo afirmou que mora no local há onze anos e “vem recebendo ameaças da requerida para sair do local que reside com sua família”. O homem também afirmou que a Associação não permitiu a entrada de materiais de construção para que ele fizesse uma reforma no local.

“A Justiça Estadual de Várzea Grande deu uma liminar, baseado não sabemos em que, dando direito ao fazendeiro de permanecer, e aí ele já querendo cortar cerca, ameaçando os moradores quilombolas da área, e nós sabemos que, e nem notificou a associação. Lá está dizendo, na liminar, que tem que dar quinze dias para recorrer. Ninguém notificou, não sabemos baseado em que documentos a justiça deu esse direito para essa pessoa que não é quilombola, não é reconhecido pela comunidade, e está aqui perturbando”, lamentou Gonçalina Santana.

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