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“O imposto não pergunta se você é de direita ou esquerda”, diz vereador após fala de Abílio

Daniel afirmou que divergências ideológicas não podem servir de justificativa para discriminação ou exclusão de qualquer grupo político

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O vereador Daniel Monteiro (Republicanos) criticou a declaração do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), de que pessoas de esquerda não seriam bem-vindas na Capital mato-grossense. Para o parlamentar, o posicionamento reforça a polarização política que tem marcado o cenário nacional nos últimos anos e contraria o princípio de respeito à diversidade de opiniões em uma sociedade democrática.

Embora tenha ressaltado sua identificação com os valores da centro-direita e a defesa do protagonismo da iniciativa privada, Daniel afirmou que divergências ideológicas não podem servir de justificativa para discriminação ou exclusão de qualquer grupo político.

“Eu sou membro do Republicanos, um partido de centro-direita. Acredito no protagonismo da iniciativa privada e tenho minhas convicções políticas muito bem definidas. Mas isso não significa que eu não deva respeitar quem pensa diferente. Aqui no plenário temos vereadores de centro-esquerda e o voto deles não vale menos do que o meu. Todos foram eleitos pela população e merecem o mesmo respeito”, declarou.

O vereador avaliou que o Brasil atravessa um período de forte divisão política desde as eleições presidenciais de 2014, cenário que, segundo ele, se aprofundou nos pleitos de 2018 e 2022. Para Daniel, a crescente radicalização tem provocado rupturas até mesmo dentro das famílias e contribuído para a disseminação de um ambiente de hostilidade entre brasileiros.

“Estamos vivendo uma cultura de ódio que não leva a lugar nenhum. Hoje vemos famílias se separando por causa da política. Eu sou um homem de direita, de centro-direita, mas não acredito que menosprezar, xingar ou atacar alguém por causa da sua posição política vá resolver qualquer problema do país”, afirmou.

Ao comentar a fala do prefeito, Daniel disse que a administração pública deve atender toda a população, independentemente da orientação ideológica dos cidadãos. Segundo ele, os impostos pagos pelos contribuintes financiam os serviços públicos e garantem direitos que precisam ser assegurados a todos.

“Quando chega o carnê de imposto, ele não pergunta se a pessoa é de direita ou de esquerda. Todo mundo paga imposto e, por isso, todo mundo tem direito à saúde, à educação e aos serviços públicos. O gestor tem a obrigação de administrar para todos, sem distinção”, pontuou.

O parlamentar também considerou inadequado que esse tipo de discurso seja feito em eventos voltados à promoção econômica e turística da cidade. Na avaliação dele, Cuiabá precisa se apresentar como um destino acolhedor e aberto a visitantes de diferentes perfis e pensamentos.

“Uma feira de turismo é justamente o momento de abrir os braços e dizer: venham todos. Mato Grosso tem um potencial turístico gigantesco e ainda subexplorado. Por isso, não faz sentido transmitir a mensagem de que uma parcela da população não é bem-vinda. Esse tipo de fala apenas alimenta divisões desnecessárias”, concluiu.

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