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Mauro reage a fala de CEO do Carrefour e propõe boicote; entidades de MT também se manifestam

Grupo francês Carrefour, também dono do Atacadão, anuncia que não irá comprar carne produzida no Brasil e em países do Mercosul
Crédito - Mayke Toscano

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O governador Mauro Mendes se manifestou nesta quinta-feira (21/11) após o Carrefour, um grupo francês que atua em vários países incluindo o Brasil, anunciar que não irá comprar mais carne do Mercosul, inclusive do nosso País. O governador ressaltou que a empresa cedeu à pressão dos agricultores franceses que não conseguem competir com os produtores brasileiros e, diante disso, propôs que seja colocada em prática a lei da reciprocidade, boicotando as lojas do Carrefour e também as do Atacadão, que pertence ao grupo.

“Quero dizer ao senhor Carrefour, ao diretor geral desta empresa, que ele tem sim o direito de comprar de quem ele quer para mandar produto lá para a França, mas que nós brasileiros, também temos o mesmo direito  nos também podermos comprar de quem nós quisermos”, disse Mauro Mendes por meio de uma rede social.

O anúncio do grupo francês foi feito pelo CEO Alexandre Bompard. O motivo seria uma “preocupação” com a qualidade e sustentabilidade da carne produzida no Brasil e em vários países do Mercosul. O que foi prontamente rechaçada ainda nessa quarta-feira pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que reiterou o Brasil obedece aos mais rigorosos padrões de qualidade, inclusive para a União Europeia que compra e atesta, por meio de suas autoridades sanitárias, a qualidade e sanidade das carnes produzidas no Brasil há mais de 40 anos.

Mauro Mendes chamou a atenção para o real motivo, que é a pressão dos agricultores franceses, diante da possibilidade de vir a ser assinado uma cordo entre o Mercosul e a União Europeia, que foi debatido na reunião de cúpula do G20 nesta semana, no Rio de Janeiro. Para o Mapa, existe um movimento orquestrado por parte de empresas francesas visando dificultar a formalização do acordo.

Para o governador, como os produtores franceses não conseguem competir com o agronegócio brasileiro, eles ficam criando esses artifícios  e o Carrefour e o Atacadão embarcaram nessa onda.

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“Fica mais uma vez claro que essa história do senhor Macron [presidente da França] e de muitos ambientalistas que se dizem defensores do meio ambiente, isso é muita conversa fiada. Porque no fundo mesmo eles querem usar  muitas vezes o meio ambiente para criar barreiras com o agronegócio do nosso Pais, do Brasil  e de alguns outros países aqui da América do Sul”.

Mauro Mendes propôs, então, aplicar a lei da reciprocidade: “Do jeito que você me trata, eu posso também te tratar”.

“Então, se o Brasil não serve para vender carne para eles, então eles não servem para vender produtos franceses e, até porque não dizer, essa empresa não deveria ser bem vista aqui no nosso País. A partir de agora quero dizer a esse diretor Geral do Carrefour, do Atacadão, que eu, como cidadão, não vou mais comprar nas lojas deles. Eu acho que quem é do agronegócio brasileiro, tendo esse tipo de tratamento dessa empresa,   poderia pensar em fazer a mesma coisa. E acho que todos nós, brasileiros, pra honrar o nosso País, devíamos pensar em dar a esse Carrefour e Atacadão, o mesmo tratamento que eles estão dando ao nosso País”.

Entidades se manifestam

Após a fala do CEO do Carrefour, várias entidades também se posicionaram, a exemplo da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) que divulgou uma nota de repúdio nesta quinta-feira. Segundo a Famato, a decisão, que se esconde em uma suposta preocupação com a qualidade do produto brasileiro e a sustentabilidade desvirtua a realidade do setor agropecuário nacional, reconhecido mundialmente por sua eficiência, capacidade de atender exigências ambientais rigorosas e por ser referência no uso de tecnologias de baixo impacto ambiental.

“Ao associar a produção brasileira a critérios inverídicos, o Carrefour não apenas promove desinformação, mas também fere a soberania brasileira e ignora a importância do Brasil como fornecedor estratégico de alimentos ao mundo. É lamentável que uma companhia com operações no Brasil, onde a pecuária gera milhões de empregos e contribui significativamente para o PIB, adote uma postura que atenda a pressões protecionistas europeias em detrimento do diálogo e do comércio justo”, diz trecho da nota da Famato.

A Associação dos Criadores do Mato Grosso (Acrimat) também emitiu nota repudiando a fala do CEO do Carrefour, Alexandre Bompard. Segundo a entidade, o produtor rural brasileiro está cansado de ser tratado com desrespeito aqui dentro e mundo afora. O protecionismo econômico de muitos países se traveste de protecionismo ambiental criando barreiras fantasmas para tentar reduzir nossa capacidade produtiva e cada vez mais os preços de nossos produtos.

“Todos sabem que é difícil competir com o produtor rural brasileiro em eficiência. Também sabem da necessidade cada vez maior de adquirirem nossos produtos pois além de alimentar sua população ainda conseguem controlar preços da produção local. A solução encontrada por esses países principalmente a UE e nitidamente a França, foi criar a “Lei Antidesmatamento” para nos impor regras que estão acima do nosso Código Florestal. Ora se temos uma lei, que é a mais rigorosa do mundo e a cumprimos à risca qual o motivo de tanto teatro? A resposta é que a incapacidade de produzir alimentos em quantidade suficiente e a também incapacidade de lidar com seus produtores faz com que joguem o problema para nós. Outra questão: Por que simplesmente não param de comprar da gente já que somos tão destrutivos assim? Porque precisam muito dos nossos produtos mas querem de graça. Querem que a gente negocie de joelhos com eles. Sempre em desvantagem. Isso é uma afronta também à soberania nacional”, diz trecho da nota da Acrimat.

Manifestação de Mauro Mendes

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