Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Lobista que vendia sentenças no STJ e movimentou bilhões é flagrado chegando à PF

Vídeo mostra chegada de lobista preso por venda de sentenças à sede da PF

publicidade

Um vídeo feito pela reportagem do Esportes e Notícias, nesta quarta-feira (12) mostra o momento em que o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves chega à sede da Polícia Federal, em Cuiabá, após ter a prisão domiciliar revogada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Gonçalves foi detido novamente em Primavera do Leste, no âmbito da Operação Sisamnes, que apura um esquema de venda de decisões judiciais envolvendo servidores do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Nas imagens, o lobista aparece escoltado por policiais federais ao deixar uma viatura e ser conduzido para o interior da superintendência. Ele havia passado os últimos quatro meses em prisão domiciliar, após alegar problemas de saúde.

Durante anos, Andreson de Oliveira Gonçalves circulou entre Cuiabá e Brasília, apresentando-se como advogado e intermediador de causas judiciais. Ele usava uma carteira da OAB falsificada, obtida no Pará e anulada em 2020, para dar aparência de legitimidade ao que a Polícia Federal e o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificaram como um “comércio de decisões judiciais” dentro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A partir de Primavera do Leste, no interior de Mato Grosso, Gonçalves criou uma rede de contatos e influência que chegava aos gabinetes de ministros do STJ. Por meio da empresa de fachada Florais Transportes, movimentou bilhões de reais em propinas e transações suspeitas. Relatórios do Coaf indicam mais de 1,5 mil pessoas físicas e jurídicas envolvidas e movimentação financeira superior a R$ 2,8 bilhões.

Interceptações telefônicas e mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam que o lobista se gabava de receber minutas de votos e decisões antecipadamente. Um dos principais contatos de Gonçalves era Márcio José Toledo Pinto, servidor que atuou nos gabinetes das ministras Nancy Andrighi e Isabel Gallotti. Uma empresa ligada à esposa de Toledo recebeu R$ 4 milhões da Florais Transportes, e ambas as empresas compartilhavam o mesmo contador.

Segundo a PF, parte das decisões era de fato manipulada por servidores corrompidos, enquanto outras eram falsificadas para extorquir clientes. Em conversas com sua esposa, a advogada Mirian Ribeiro, Gonçalves celebrava vitórias e se vangloriava de “virar o jogo” em processos milionários.

Preso desde novembro de 2024 e posteriormente transferido para prisão domiciliar por problemas de saúde, Gonçalves chegou a negociar um acordo de delação premiada autorizado pelo ministro Zanin, mas as tratativas não avançaram. A PF, contudo, ainda analisa o conteúdo do celular do lobista, recuperado com auxílio da empresa Meta, dona do WhatsApp. As mensagens podem expor quem eram os beneficiários políticos e empresariais do esquema de venda de sentenças.

A investigação, que já dura mais de um ano, envolve servidores de 11 gabinetes do STJ. Entre os elementos apurados, há indícios de que decisões judiciais chegavam aos interessados dias antes da publicação oficial.

Um dos pontos de partida da operação foi o assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto a tiros em dezembro de 2023, em Cuiabá. Durante a perícia no local, o celular da vítima recebeu uma mensagem de um desembargador dizendo: “Deus o tenha. Que o receba de braços abertos.” O episódio levou o caso a Brasília e deu origem à maior investigação sobre corrupção no Judiciário brasileiro.

A revista piauí identificou ainda que Mirian Ribeiro, esposa de Gonçalves, atuou em 201 processos no STJ, sendo 47 deles no gabinete do ministro Paulo Dias Moura Ribeiro. Desses, 72,5% resultaram em decisões favoráveis a ela, um índice muito acima da média. Em dezesseis ações, a advogada foi contratada depois que os casos já estavam sob relatoria do ministro, o que reforça as suspeitas sobre o favorecimento.

Entre seus clientes, aparece o grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, para quem ela atuou em treze processos, três deles também sob relatoria de Moura Ribeiro.

As apurações continuam sob sigilo. A Polícia Federal segue investigando o caso.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade