A Polícia Federal prendeu novamente, na manhã desta quarta-feira (12), o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado como um dos articuladores de um esquema de venda de sentenças envolvendo membros do Judiciário de Mato Grosso e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O investigado havia permanecido oito meses detido na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, e desde julho deste ano cumpria prisão domiciliar em uma mansão localizada em Primavera do Leste, após apresentar problemas de saúde e significativa perda de peso. No entanto, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), considerou que o lobista já estava recuperado e determinou o fim da medida domiciliar.
Andreson foi um dos principais alvos da Operação Sisamnes, deflagrada em novembro de 2024, que apurou indícios de corrupção e tráfico de influência no sistema judicial. As investigações tiveram início após a morte do advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em frente ao próprio escritório em 2023. Mensagens encontradas no celular da vítima apontaram para negociações de decisões judiciais, o que levou ao afastamento dos desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Durante o período em que esteve preso, a defesa alegou que Andreson sofreu crises emocionais e perda de peso acentuada, atribuídas à má alimentação e ao isolamento. Com base em laudos médicos, ele obteve a transferência para prisão domiciliar.
Entretanto, em outubro deste ano, o lobista voltou a ser alvo de uma nova fase da Operação Sisamnes. Na ocasião, seu segurança particular, o policial militar aposentado Dejair Silvestre dos Santos, foi preso por obstrução à Justiça, ao tentar esconder um celular durante o cumprimento de mandado da PF na residência do lobista.
As apurações apontaram que Andreson poderia continuar atuando na negociação de decisões judiciais, mesmo em regime domiciliar. Diante dessas suspeitas, o STF autorizou a nova prisão, considerando que o empresário estava plenamente restabelecido e descumpria restrições impostas pela Justiça.
A Polícia Federal segue com as investigações sobre o esquema de corrupção e venda de sentenças.



















