Inteligência emocional e o futuro do trabalho

Lorena Lacerda - Divulgação

As emoções humanas são forças poderosas do planeta. Elas são capazes de criar opostos: iniciar guerras e estabelecer paz, assim como despertar o amor e incentivar uma ruptura. Embora inevitáveis, as emoções também são fontes indispensáveis de orientação e nos conduzem a agir – seja no âmbito pessoal ou profissional. O perigo está justamente quando não há identificação e nem gestão dessas emoções.

Mas, diferente do quociente de inteligência (QI), a inteligência emocional pode ser desenvolvida e/ou aprimorada. Ela envolve componentes que vão desde a autogestão e o gerenciamento de relacionamento (interpessoal) até a autopercepção e a autoexpressão – que podem ser traduzidas como a nossa capacidade de perceber nossas emoções e entender nossas tendências de agir e se expressar de determinadas maneiras em determinadas situações.

Tanto que até mesmo a famosa iniciativa do Google, o Projeto Aristóteles, ressaltou que uma equipe de alto desempenho precisa de três itens: uma forte consciência da importância das conexões sociais, um ambiente onde cada pessoa fale igualmente e segurança psicológica onde todos se sintam seguros para trabalhar sem medo das consequências negativas. Contudo, esse cenário é pouco amplificado se não existir uma liderança emocionalmente inteligente.

Para além disso, as taxas crescentes de solidão, depressão e preocupações com a saúde mental dos colaboradores representam uma oportunidade para as empresas adotarem a inteligência emocional a fim de engajar novamente as pessoas tanto no trabalho quanto na vida. Afinal, entre as principais necessidades humanas de trabalho (e vida) constam: sobreviver, pertencer e se tornar parte.

Uma vez atendidas as necessidades básicas, as pessoas procuram ser aceitas por quem são para, finalmente, aprender e crescer para se tornarem o que têm de melhor. Colaboradores que se sentem cuidados são mais leais, engajados e produtivos. Eles têm mais probabilidade de se envolver no trabalho, permanecer na empresa e recomendá-la como um bom lugar para trabalhar e menos chance de sofrer de estresse ou burnout.

Sem contar que à medida que o mundo avança, mais e mais necessidades de sobrevivência estão sendo atendidas de forma consistente, fazendo com que a força de trabalho volte sua atenção para o próximo nível de necessidades, mais imediatamente pertencendo. Líderes emocionalmente inteligentes são capazes de estender o pertencimento para suas equipes.

A propósito, conforme tecnologias mais sofisticadas surgem, como inteligência artificial e 5G, habilidades humanas como compaixão e empatia irão definir a vantagem competitiva dos colaboradores e das organizações em que atuam. Existe um mito de que as emoções não pertencem ao ambiente de trabalho, mas as fronteiras entre vida profissional e pessoal continuam a se cruzar. Afinal, as emoções viajam conosco e, portanto, é preciso realizar uma boa gestão delas.

Se a Revolução Industrial exigiu colaboradores fortes e a Era da Informação exigiu trabalhadores experientes, a futura era do trabalho exigirá colaboradores emocionalmente inteligentes.

*Lorena Lacerda é CEO do Grupo Valure, Coach e Mentora de Executivos, Sócia-fundadora da StepU

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