O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, classificou como “incompreensível” e autoritária a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida entrou em vigor nessa quarta-feira (6) e atinge 95 categorias de exportações, com impacto direto sobre setores como o de carne bovina e café.
“A interferência em todos os países do mundo, querendo criar uma nova forma de comercialização… O mundo não precisa de um imperador, o mundo não precisa de um tirano para dizer como as coisas vão acontecer”, afirmou o ministro, após a assinatura de um acordo com o Sebrae. “Temos que, antes de mais nada, respeitar as democracias e privilegiar o diálogo.”
Fávaro destacou que o Brasil está adotando estratégias para contornar as sanções, incluindo a abertura de novos mercados e o redirecionamento das exportações. Segundo ele, a agropecuária nacional já avançou em 398 novos mercados internacionais.
Apesar disso, o ministro criticou duramente a atitude de parte da população brasileira que, segundo ele, estaria apoiando a medida de Trump por motivação política. “Qual a pátria que estão defendendo? Estão fazendo isso contra os brasileiros, não contra o presidente Lula ou o ministro da Agricultura”, disparou.
Fávaro garantiu que o governo federal está estudando formas de amenizar os impactos setoriais, incluindo linhas de crédito específicas, compras públicas e apoio direto aos exportadores prejudicados. “Mesmo que seja um produto de menor volume, para aquele empreendedor é significativo. Precisamos olhar caso a caso.”
A sobretaxa norte-americana afeta mais de 3,8 mil itens, embora algumas categorias estejam isentas, como suco de laranja, fertilizantes, aeronaves, veículos e petróleo. Segundo o governo brasileiro, os embarques realizados a partir de 00h01 desta quarta-feira já estão sujeitos à nova tarifação.
A ofensiva tarifária é vista como parte da estratégia de Trump para reposicionar os Estados Unidos em disputas comerciais globais, o que tem gerado tensões com diversos países. Fávaro, por outro lado, reafirmou o compromisso do Brasil com relações multilaterais baseadas na diplomacia e no respeito entre nações.

















