Em alusão ao Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho, o delegado titular da Delegacia Especializada de Delitos contra a Pessoa Idosa, Marco Aurélio Veloso, faz um alerta sobre a violência que atinge essa população. Ele destaca o aumento das denúncias e a importância da conscientização da sociedade para identificar e combater diferentes formas de abuso.
Em 2025, a Delegacia Especializada recebeu 331 denúncias ao longo de todo o ano. Apenas nos cinco primeiros meses deste ano, cerca de 300 ocorrências já foram registradas.
O delegado conversou com a equipe de Comunicação Social do TRT/MT e alertou para as diversas formas de violência praticadas contra pessoas idosas no dia a dia. “Os idosos são vítimas de violência institucional, estrutural e cotidiana. Muitas práticas consideradas normais acabam desrespeitando seus direitos. Um exemplo é o uso indevido das filas preferenciais e das vagas reservadas, situações que revelam a falta de respeito à condição da pessoa idosa”, afirma o delegado.
Segundo Marco Aurélio, entre os principais tipos de violência estão a negligência, o abandono e os maus-tratos. “A violência contra a pessoa idosa é silenciosa. O que mais preocupa é que, em cerca de 85% dos casos registrados na delegacia, ela ocorre dentro do ambiente familiar, justamente onde deveria existir proteção”, destaca.
O abandono pode ocorrer em situações comuns do cotidiano e pode configurar negligência.“Um exemplo é quando a pessoa idosa necessita de cuidados básicos e não recebe assistência adequada. Se utiliza fraldas e não há quem realize as trocas necessárias, a negligência pode evoluir para maus-tratos. Com o tempo, podem surgir assaduras, desnutrição, desidratação e outros agravamentos à saúde”, afirma o delegado.
Outro ponto preocupante destacado por Marco Aurélio é o aumento dos crimes de estelionato contra idosos, tanto no ambiente familiar quanto no digital. “Muitas famílias fornecem smartphones aos idosos para facilitar a comunicação e promover inclusão. No entanto, sem orientação adequada sobre os riscos da internet, eles acabam se tornando alvos frequentes de golpes, fraudes e promessas enganosas divulgadas nas redes sociais”, afirma.
A violência patrimonial também é recorrente, em muitos casos, familiares passam a administrar informalmente aposentadorias, benefícios e rendimentos dos idosos sem qualquer controle ou prestação de contas. O delegado explica que, quando a pessoa idosa não possui mais condições de gerenciar sua própria vida financeira, o procedimento adequado é buscar judicialmente a curatela, garantindo segurança jurídica para a administração do patrimônio.
Marco Aurélio destaca ainda que muitas vítimas deixam de procurar ajuda por medo, dependência financeira ou receio de romper vínculos familiares. “Mães evitam denunciar filhos, esposas evitam denunciar maridos e muitos idosos temem ser afastados do convívio familiar”, explica.
Como denunciar
As denúncias podem ser feitas presencialmente em delegacias, unidades da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, CRAS, Conselhos Municipais e Conselhos Estaduais da Pessoa Idosa. Também é possível registrar boletim de ocorrência pela Delegacia Digital. Quem desejar denunciar de forma anônima pode utilizar o Disque 100 ou o Disque 181.
Junho Violeta
Celebrado em 15 de junho, o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2006, com o objetivo de alertar a sociedade para as diversas formas de violência que afetam a população idosa em todo o mundo.
O Junho Violeta é uma campanha dedicada à conscientização e ao combate a todas as formas de violência contra a pessoa idosa com o objetivo de destacar a importância do respeito e da proteção dessa população.

















