CUIABÁ
05 de dezembro de 2021 - 19:28

Cineasta cuiabano lança curtas inspirados em grandes nomes de Mato Grosso

As obras são “Kintê ou Quando meu pai me ensinou o Abc do mundo” e “Se Essa Rua Fosse Nunes”, a primeira inspirada no mestre de capoeira  Ray Kintê e a segunda pelo artista plástico Benedito Nunes.
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O jovem Felippy Damian, de 31 anos, carrega no currículo diversas experiências com o cinema independentes. Com duas produções saindo do forno, o cineasta promete surpreender o público com obras que vão movimentar o cenário mato-grossense.

O curta “Kintê ou Quando meu pai me ensinou o Abc do mundo”, documentário com produção da Trinca, fala sobre o mestre Ray Kintê e está previsto para estrear na semana em que se celebra o Dia da Consciência Negra (20 de novembro).

Com duração de 30 minutos, o curta-metragem do cineasta cuiabano, homenageia o mestre de capoeira Raimundo Lima dos Santos Filho, de 57 anos, mais conhecido Ray Kintê, que desenvolve um trabalho cultural e social em Várzea Grande.

Felippy Damian faz um pouco de tudo dentro do projeto, desde de autor, onde escreveu o roteiro, dirigiu e orientou a montagem dessa e diversas outras obras. Seus curtas são projetos de baixo orçamento, embora na tela pouco transparecem as dificuldades e limitações enfrentadas para a realização.

Esse desejo de fazer arte começou quando ele entrou no curso de publicidade. Por meio da universidade, Felippy desenvolveu uma cinefilia muito por conta das próprias atividades da faculdade que o aproximou do cinema.

Seus primeiros trabalhos foram vídeos para festivais acadêmicos, com roteiro próprio. Mas o pontapé inicial dado em sua carreira foi um convite de seu veterano Maurício Falchetti, que o chamou para escrever um roteiro que deu origem à ânsia de cineasta.

No coletivo audiovisual Miraluz, Felippy lançou sua primeira produção do curta “Aquilo que me Olha”, um curta-metragem aprovado no Edital Procine Cuiabá 2015 – Programa de Fomento à Produção de Conteúdo Audiovisual de Cuiabá.

“Aquilo que me olha” é um curta de ficção sobre Belladona, mulher transexual na busca por se encontrar. Este filme em especial já foi exibido na, Índia, Nigéria, México e Argentina”, diz o diretor.

Damian junto ao coletivo produziu inúmeros trabalhos de maneira colaborativa desde 2012, como por exemplo: “Primeira Morte de Pedro”, “Se acaso a tempestade fosse nossa amiga, eu me casaria com você” e “Risos na Madrugada”. Esses são todos trabalhos feitos, somente com a vontade de fazer cinema superando todas as lacunas de produção.

Suas filmografias podem ser compreendidas  por uma via mais intimista, com poucos personagens e ambientes fechados, com muita qualidade técnica e domínio da narrativa, visava um modo particular para cada produção.

“Não existe uma técnica específica, eu estou em formação ainda, talvez sempre estarei, tento pensar no que pra mim é mais importante em cada filme e do que não posso abrir mão”.

O cineasta tem como referências um ideário estético, trazendo elementos do cinema estadunidense com preferências no surrealista de David Lynch e Luis Buñuel. Entre as referências brasileiras estão: Cláudio Assis e Eduardo Coutinho (considerado por muitos como o maior documentarista da história do cinema do Brasil).

O cinema brasileiro tem ganhado força, expressividade e alcance popular ao longo dos anos, mesmo enfrentando momentos de crise da pandemia. Além de “ Kintê ou Quando meu pai me ensinou o Abc do mundo”, outro curta com produção da Trinca chamado “Se Essa Rua Fosse Nunes” também foi lançado na abertura do 26° Salão Jovem Arte de Mato Grosso que aconteceu na última sexta-feira (8), na Galeria de Artes Visuais do Sesc Arsenal. Este curta, roteirizado por Felippy, é baseado na história do brilhante artista plástico Benedito Nunes.

Tanto em uma quanto em outra obra, o diretor diz que o que mais lhe chama a atenção é a possibilidade de adentrar e uma história e conhecer seus personagens de perto. “O que me motiva é me relacionar com os outros, fazer filmes é um jeito de estar no mundo de uma forma ativa. Por meio dos meus trabalhos eu me encontro com o Ray, com o Nunes, e também com aqueles que assistem o filme”.

Esses filmes não vão definir quem são esses personagens, mas vão dizer como Felippy Damian teve o prazer de os conhecer.

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