Estudantes do curso de Agronomia da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus “Jane Vanini”, em Cáceres, decidiram entrar em greve por tempo indeterminado após uma série de denúncias de ameaças, perseguições e episódios de violência psicológica dentro da instituição.
A paralisação foi aprovada em assembleia convocada pelo Centro Acadêmico de Agronomia (CAAGRO) no dia 6 de novembro, depois que diversas alunas, professoras e servidoras relataram situações de hostilidade e intimidação. O principal acusado é um estudante que responde a processo disciplinar e chegou a ser afastado por 15 dias, mas continuou frequentando o campus, gerando medo e insegurança entre os acadêmicos.
Segundo o documento encaminhado à direção, o aluno teria ameaçado uma colega de morte por mensagens eletrônicas e praticado assédio e perseguição contra outras mulheres. O acusado possui ainda histórico de boletins de ocorrência e medida de restrição judicial, o que, segundo os alunos, demonstra reincidência e comportamento incompatível com o ambiente universitário.
Os estudantes afirmam que o afastamento temporário foi insuficiente e cobram a expulsão definitiva do agressor, conforme previsto na Resolução nº 037/2024 – CONEPE, que trata de sanções por condutas antiéticas e incompatíveis com a vida acadêmica.
Após o início da greve, representantes da Unemat apresentaram aos alunos as medidas administrativas e de segurança em andamento, incluindo restrições de acesso ao campus e acompanhamento jurídico do caso. Mesmo assim, os acadêmicos decidiram manter a paralisação, alegando que as ações adotadas ainda não garantem a segurança da comunidade universitária.
Entre as principais reivindicações estão o aumento do número de vigilantes, a ampliação das câmeras de monitoramento e a criação de uma guarda universitária permanente, modelo já adotado em instituições como a USP. Atualmente, a segurança da Unemat é feita por vigilantes terceirizados, responsáveis apenas pela proteção patrimonial e sem estrutura adequada para lidar com situações de risco.
O CAAGRO destaca ainda que o campus de Cáceres tem histórico de furtos de veículos, objetos pessoais e equipamentos acadêmicos, reforçando a necessidade de uma política de segurança eficaz e permanente.


















