O prefeito Abilio Brunini (PL) defendeu nesta terça-feira (17) a destinação de R$ 1,2 milhão para a compra do medicamento Mounjaro, voltado ao tratamento de obesidade grave e diabetes tipo 2, mesmo diante da cobrança do Ministério Público (MPMT) sobre a ausência de remédios básicos nas unidades de saúde de Cuiabá. Para o gestor, são situações distintas e o problema do desabastecimento decorre de entraves com fornecedores contratados pela própria prefeitura.
“Os medicamentos que estão em falta a gente já comprou”, disse o prefeito em entrevista. Segundo ele, empresas fornecedoras estariam condicionando a entrega de novos lotes ao pagamento de dívidas herdadas da gestão anterior. “Muitas estão chantageando que a gente pague dívida do passado para poder entregar produtos novos. Mas elas participaram de novas licitações. Foi dado ordem de serviço e elas ficam tentando negociar valores de 2023, 2024”, afirmou.
A declaração ocorre um dia após o Ministério Público de Mato Grosso revelar que 25% dos medicamentos da lista municipal (Remume) estão em falta no Centro de Distribuição da Capital. Entre os itens indisponíveis, estão dipirona, amoxicilina, metformina e fluoxetina.
Brunini destacou que três processos de aquisição estão em andamento: um pregão realizado na gestão passada e ainda vigente; uma compra emergencial de R$ 1,5 milhão, cujas entregas estão sendo feitas nesta semana; e um novo processo emergencial para reposição futura, previsto para os próximos dois a três meses. “A única coisa que falta é entregar”, resumiu.
Apesar da crise no fornecimento de itens essenciais, o prefeito justificou o investimento em Mounjaro como parte de uma política pública preventiva. A iniciativa, proposta inicialmente pela vereadora Michelly Alencar (União), que destinou R$ 1,2 milhão em emendas parlamentares, foi abraçada pelo Executivo e passou a contar com aporte equivalente da prefeitura, totalizando R$ 2,4 milhões.
O programa prevê o fornecimento gratuito do medicamento a 300 pacientes diagnosticados com obesidade grau 2 e 3 atendidos pelo SUS, com acompanhamento médico, nutricional, psicológico e físico.
“Mounjaro não é a solução imediata. É um projeto futuro. Enquanto isso, estamos aguardando a chegada dos medicamentos básicos”, disse Abilio. Ele também compartilhou um relato pessoal ao defender o programa: “Eu mesmo estou cuidando da minha saúde. Sofro com hipertensão, já perdi 15 kg e minha qualidade de vida melhorou bastante. Quero que a população tenha essa mesma chance”.
O Mounjaro é um medicamento de alto custo — com preço que ultrapassa R$ 1,7 mil por dose — usado para o tratamento de diabetes tipo 2 e aprovado também como auxiliar no controle de peso em pacientes com obesidade. Seu princípio ativo, tirzepatida, atua no sistema de saciedade e regulação de glicose, sendo uma alternativa não cirúrgica à bariátrica.
















