O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, recebeu nessa quarta-feira (17) uma nova denúncia relacionada ao descarte de materiais didáticos adquiridos pelo poder público. A denúncia foi apresentada pela vereadora de Água Boa, Josi Koch, que relatou ter encontrado uma grande quantidade de livros ainda embalados em um aterro controlado do município.
O caso passa a integrar a auditoria já em andamento no Tribunal, que investiga a compra e a destinação de materiais didáticos pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT).
“Isso que a vereadora trouxe se soma a várias denúncias que já recebemos. Vamos identificar quem determinou o descarte desses livros, quantos exemplares foram adquiridos, quem autorizou compras em volume tão elevado e quanto foi gasto. Não é aceitável que livros sejam descartados ainda lacrados, sem sequer terem sido utilizados”, afirmou Sérgio Ricardo.
Segundo o presidente do TCE, a nova denúncia reforça suspeitas já levantadas em outros municípios. “É mais um capítulo do escândalo dos livros. Já recebemos relatos de Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis. Agora, Água Boa também será incluída na apuração, assim como o responsável pela recicladora onde os materiais foram encontrados”, disse.
A vereadora afirmou que procurou o Tribunal após acompanhar as investigações conduzidas pela Corte de Contas. De acordo com ela, os livros foram encontrados durante uma visita ao aterro controlado do município, em janeiro de 2025.
“Eu estava na cooperativa de reciclagem e encontrei caixas e mais caixas de material escolar do Governo do Estado. Busquei esclarecimentos junto à Seduc e formalizei denúncia ao Ministério Público, mas o procedimento acabou arquivado. Agora vejo no TCE uma oportunidade para que os fatos sejam devidamente investigados”, declarou.
Além da destinação dos materiais, a auditoria do Tribunal também apura a aquisição de livros de editoras privadas em situações nas quais já existe material gratuito disponibilizado pelo Governo Federal. Outro foco da investigação é a compra recorrente de apostilas com conteúdos praticamente idênticos, alterando apenas o ano de referência.
“Verificamos materiais de ensino médio para 2024 e 2025 com o mesmo conteúdo. Isso levanta dúvidas sobre a necessidade de novas aquisições e pode ajudar a explicar por que tantos exemplares acabaram sendo descartados”, afirmou Sérgio Ricardo.
A vereadora também relatou a suspeita de que parte dos livros possa ter sido enterrada no aterro e disse ter recebido informações de parlamentares de outros municípios apontando situações semelhantes.
Ao comentar o andamento das investigações, o presidente do TCE agradeceu o apoio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e destacou a participação do deputado estadual Gilberto Cattani no levantamento das informações relacionadas ao caso.

















