O ex-procurador da República Deltan Dallagnol publicou um vídeo nas redes sociais que está provocando forte repercussão nos bastidores do futebol brasileiro. Na gravação, o ex-coordenador da Operação Lava Jato faz duras críticas à influência atribuída por ele ao advogado Francisco Mendes, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e atual vice-presidente da Federação Matogrossense de Futebol (FMF).
Logo na abertura, Dallagnol apresenta a principal acusação política do vídeo. “Quem convocou Neymar fui eu. Quem disse isso não fui eu. Nem foi Carlo Ancelotti. Também não foi o pai do Neymar. Sabe quem foi? Foi Francisco Mendes, filho do ministro do STF Gilmar Mendes e o manda-chuva de fato da CBF.”
A declaração dá o tom de uma narrativa em que o ex-procurador sustenta que o poder dentro da Confederação Brasileira de Futebol estaria concentrado longe dos cargos oficialmente eleitos.
Segundo Dallagnol, a ascensão de Francisco Mendes dentro do ambiente do futebol nacional estaria ligada ao crescimento da influência do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado por Gilmar Mendes. “Como é que um filho de um ministro do Supremo, que absolutamente ninguém conhece, virou quem realmente manda na CBF? Essa é uma história difícil de acreditar.”
Ao longo do vídeo, Dallagnol cita o contrato firmado entre a CBF Academy e o IDP para questionar a proximidade entre a entidade máxima do futebol brasileiro e pessoas ligadas ao ministro do STF. “O IDP assinou um contrato com a CBF que lhe dava 84% da receita da CBF Academy. Só naquele ano, a academia faturou mais de R$ 9 milhões.”
O ex-procurador também menciona decisões judiciais envolvendo o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, e sugere que a situação deveria ter sido analisada com maior rigor institucional. “Quando Ednaldo foi destituído, entrou com recurso no STF. O processo caiu com Gilmar Mendes, que não se declarou impedido e o colocou de volta no cargo.”
As críticas se intensificam quando Dallagnol passa a falar sobre a estrutura administrativa da confederação. “Hoje não há um departamento da CBF sem alguém do IDP. Diretor executivo, financeiro, jurídico. Todos vêm da faculdade do Gilmar.”
Em um dos momentos mais contundentes do vídeo, o ex-procurador afirma que Francisco Mendes exerceria influência dentro da entidade sem ocupar cargo executivo na confederação. “O filho dele é quem tem a palavra final na confederação, sem cargo, sem mandato, sem voto.”
Dallagnol ainda amplia o alcance das críticas ao afirmar que a discussão ultrapassa nomes específicos e envolveria um problema institucional mais profundo. “A questão não é Gilmar Mendes. Podia ser qualquer outro ministro. O absurdo é esse nível de interferência. Ministro escolhendo presidente, diretores da confederação, filho de ministro como dono de fato do futebol brasileiro.”
O vídeo termina com uma frase que resume a crítica feita pelo ex-procurador e que rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais: “O que fica parecendo é que, no jogo político e até no futebol do Brasil, a bola tem dono”, concluiu.

















