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“Só a privatização resolve”, diz Júlio Campos sobre falta d’água em Várzea Grande

Segundo ele, o problema surgiu à medida que a cidade passou por uma expansão acelerada sem o devido planejamento urbano

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O deputado estadual Júlio Campos (União) voltou a defender a privatização do sistema de abastecimento de água de Várzea Grande como alternativa para solucionar um problema que, segundo ele, se agravou ao longo dos últimos 10 a 15 anos. Em entrevista ao Jornal da Capital, nesta segunda-feira (08), o parlamentar afirmou que o município possui capacidade de produção de água suficiente para atender a população, mas enfrenta sérias dificuldades na distribuição devido ao crescimento urbano desordenado e à falta de investimentos na infraestrutura.

De acordo com Júlio, a escassez no abastecimento não era uma realidade durante sua gestão à frente da Prefeitura de Várzea Grande. Segundo ele, o problema surgiu à medida que a cidade passou por uma expansão acelerada sem o devido planejamento urbano.

 “Essa falta d’água veio ocorrendo nos últimos 10, 15 anos. Várzea Grande cresceu muito sem planejamento. Não é que falta água. Água nós temos até em excesso. As estações de tratamento produzem o suficiente para abastecer mais do que os 315 mil habitantes. O problema é que não temos a rede de distribuição adequada”, declarou.

O parlamentar atribuiu a situação à aprovação de loteamentos em áreas cada vez mais distantes do núcleo urbano, muitas vezes sem a infraestrutura necessária para garantir o fornecimento de água e outros serviços básicos. Segundo ele, enquanto Cuiabá mantinha regras mais rígidas para novos empreendimentos, Várzea Grande teria adotado uma postura mais flexível, permitindo a expansão da cidade para regiões afastadas.

“Várzea Grande foi crescendo e se espalhando. Foram aprovados muitos loteamentos sem infraestrutura de água e energia. Isso acabou gerando um problema enorme para o sistema de abastecimento”, afirmou.

Ao analisar o cenário atual, Júlio avaliou que o Departamento de Água e Esgoto (DAE) não possui capacidade financeira para realizar os investimentos necessários. Ele ressaltou que, além da ampliação da rede de distribuição, o município também enfrenta um grande déficit na cobertura de esgotamento sanitário.

“Eu não vejo hoje capacidade do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande ter recursos suficientes para resolver esse gravíssimo problema. A cidade tem apenas entre 5% e 10% de cobertura de rede de esgoto. O investimento necessário passa de R$ 1 bilhão”, argumentou.

Por isso, o deputado defendeu a concessão ou privatização do serviço. Na avaliação dele, apenas a entrada da iniciativa privada poderia garantir os recursos necessários para modernizar o sistema, substituir tubulações antigas e ampliar a cobertura dos serviços de saneamento.

“Só vejo uma saída. Um grupo empresarial assumir a operação, investir e resolver definitivamente o problema da água e também do esgoto em Várzea Grande. O município não tem condições financeiras para fazer isso sozinho”, afirmou.

Durante a entrevista, o deputado também fez um histórico da evolução da crise hídrica no município, apontando que a situação começou a se agravar ainda na gestão do ex-prefeito Murilo Domingos, atravessou os governos seguintes e atingiu seu ápice durante a administração do ex-prefeito Kalil Baracat.

De acordo com ele, o tema foi decisivo para a derrota eleitoral de Kalil e para a vitória da atual prefeita Flávia Moretti.

“A falta de água foi o principal tema da campanha. A população estava muito insatisfeita com a situação e isso teve um peso enorme no resultado das urnas”, avaliou.

Apesar de reconhecer investimentos realizados por gestões anteriores, incluindo a construção de novas estações de tratamento de água, o deputado afirmou que os problemas persistem devido às perdas na rede e à antiguidade das tubulações.

“Temos água, mas perdemos muito pelo caminho. Os canos são velhos, pequenos, antigos, estouram constantemente. É um sistema que precisa ser completamente modernizado”, disse.

Ao comentar os desafios enfrentados pela atual administração municipal, Júlio afirmou que as dificuldades não se limitam à questão financeira. Segundo ele, a prefeita também enfrenta problemas de articulação política e administrativa.

“Além das dificuldades econômicas, existe a falta de relacionamento político com a Câmara Municipal, com o vice-prefeito e também uma inconstância na formação da equipe de governo”, concluiu.

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