Lavar corretamente as mãos continua sendo uma das medidas mais eficazes e acessíveis para reduzir a transmissão de vírus e bactérias respiratórias, especialmente durante o período de aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Mato Grosso.
Estudos apontam que o hábito pode diminuir em até 40% o risco de infecções, cenário que ganha ainda mais importância diante da alta circulação de doenças respiratórias nesta época do ano. Manter o hábito em casa, serviço e outros locais públicos ajuda a prevenir a disseminação de vírus e bactérias, conforme explicam especialistas do Hospital Santa Rosa.
Dados do Ministério da Saúde mostram que influenza, pneumonia e coronavírus causaram, juntos, 1.309 mortes em Mato Grosso ao longo de 2025. O cenário preocupa especialmente neste período de transição climática, marcado por baixa umidade do ar, aumento de poeira e maior circulação de vírus respiratórios.
No ano anterior, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), Mato Grosso registrou 215 mortes por SRAG.
Segundo o infectologista do Hospital Santa Rosa, o médico Willian Benedito, as mãos estão entre os principais meios de transmissão de microrganismos.
“As pessoas tocam frequentemente em superfícies contaminadas, como maçanetas, celulares, corrimãos e mesas, e depois levam as mãos ao rosto, principalmente olhos, nariz e boca. A higienização correta remove ou destrói vírus e bactérias antes que eles entrem no organismo ou sejam transmitidos para outras pessoas”, explica o médico.
O médico afirma que o hábito interrompe a chamada cadeia de transmissão das doenças respiratórias, reduzindo a disseminação tanto na comunidade quanto dentro das unidades hospitalares.
De acordo com o especialista, a medida é considerada altamente eficaz do ponto de vista infectológico porque atua justamente no principal mecanismo de transmissão de diversas doenças: o contato indireto.
“Diversos vírus respiratórios e bactérias conseguem permanecer vivos por horas em superfícies e objetos. Quando a pessoa toca essas superfícies contaminadas, ela pode carregar os microrganismos para o próprio corpo ou para outras pessoas”, afirma o doutor.
Entre os erros mais comuns no processo de higienização, o infectologista cita a lavagem rápida das mãos, sem fricção adequada, além do esquecimento de áreas importantes, como polegares, pontas dos dedos e a região entre os dedos.
O especialista também alerta para práticas inadequadas, como utilizar álcool em gel com as mãos visivelmente sujas, não higienizar as mãos após tossir ou espirrar e até o hábito de tocar novamente em superfícies contaminadas logo após a limpeza.
“O ideal é que a lavagem dure cerca de 40 a 60 segundos com água e sabão, ou de 20 a 30 segundos com preparação alcoólica, seguindo a técnica correta recomendada pelos protocolos de controle de infecção”, afirmou.
O médico Willian Benedito destaca ainda que o período de transição climática em Mato Grosso favorece o aumento de doenças respiratórias devido às mudanças bruscas de temperatura e à maior circulação de vírus como influenza, rinovírus e vírus sincicial respiratório.
“Ambientes fechados e climatizados também contribuem para maior transmissão. Por isso, medidas preventivas tornam-se ainda mais importantes, como higienização frequente das mãos, vacinação atualizada, etiqueta respiratória, hidratação adequada e uso de máscara em casos sintomáticos ou ambientes de risco”, pontua.
Além da proteção individual, o infectologista ressalta que a higienização correta das mãos gera impacto coletivo importante ao reduzir a circulação de vírus e diminuir a pressão sobre hospitais e unidades de saúde.
“Quando mais pessoas adotam essa prática corretamente, menor é a circulação de vírus e bactérias na comunidade. Isso reduz o número de casos, internações e complicações, especialmente em grupos vulneráveis”, afirmou.
No Hospital Santa Rosa, a prevenção e o controle de infecções incluem protocolos institucionais de higienização das mãos, treinamentos contínuos das equipes assistenciais, monitoramento das práticas de segurança, disponibilidade de álcool em gel em áreas estratégicas e atuação permanente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH). A unidade também reforça fluxos assistenciais, triagem de pacientes sintomáticos e medidas preventivas durante períodos de aumento das doenças respiratórias.
















