O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso aprovou, por unanimidade, a interdição ética do Instituto Médico Legal de Barra do Garças, interrompendo as atividades médicas na unidade por tempo indeterminado.
A medida drástica foi adotada após uma vistoria técnica do órgão fiscalizador revelar que o estabelecimento operava em condições de total degradação estrutural, sanitária e de segurança, tornando o ambiente completamente insalubre para os funcionários e inadequado para o atendimento à população.
Durante a inspeção, os fiscais constataram um cenário alarmante que inclui a presença de produtos químicos e materiais de exames vencidos há mais de dez anos.
A infraestrutura básica do prédio mostrou-se negligenciada, com a ausência de água potável para consumo dos servidores, inexistência de banheiros e falta de um local apropriado para o repouso dos plantonistas. O relatório apontou ainda um grave desrespeito ao manejo de restos mortais, detalhando que ossadas humanas eram mantidas em recipientes abertos dentro do depósito de materiais de limpeza.
O posto do IML também falhava na proteção de seus profissionais, que não dispunham de Equipamentos de Proteção Individual adequados, e no gerenciamento de resíduos biológicos altamente infectantes. A precariedade se estendia às salas de exames sensíveis, como os de necropsia e de perícia em vítimas de violência sexual, que funcionavam sem os padrões técnicos exigidos.
Para agravar a situação, o local operava na ilegalidade documental, sem alvará sanitário, sem autorização do Corpo de Bombeiros contra incêndios, sem registro no conselho de classe e sem um diretor técnico formalmente nomeado.
O presidente da autarquia, Adriano Pinho, explicou que a interdição ética é um instrumento extremo e necessário para salvaguardar a dignidade da prática médica e proteger a sociedade de atendimentos perigosos.
Segundo o dirigente, os serviços só poderão ser retomados quando o poder público solucionar todas as irregularidades apontadas, descartar os insumos vencidos e reestruturar o prédio.
O conselho alertou que as fiscalizações estão sendo ampliadas para outras regionais do interior do estado, e novas interdições podem ocorrer caso problemas semelhantes sejam identificados nos próximos dias.

















